Olá a todos e todas!

Como vocês estão?

Por aqui vamos indo do que jeito que dá.



Aqueles que lêem  essas mal escritas linhas já se acostumaram que eu sempre abordo um assunto da semana anterior e nesta coluna não seria diferente, eu iria escrever sobre a censura sofrida por uma equipe de uma afiliada da Rede Globo em cerimônia do Governo Bolsonaro. Deste fato, ficam duas considerações:
1)Porque as demais equipes jornalísticas não se solidarizaram e saíram junto com a equipe que estava sendo privada de exercer seu trabalho. Afinal, isso não é censura? 
2) Por outro lado, deixo aqui uma frase em espanhol: cria cuervos y te sacarán los ojos. 
Na semana passada, tratei de mais um caso de racismo envolvendo Neymar e pergunto se haverá a tomada de consciência do atleta brasileiro a partir de agora. Se você quiser, (re)ler clique aqui

Porém, acabei surpreendido pelo assunto que dá título à coluna.

Hoje pela manhã assisti ao discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Antes que alguém venha dizer que esse lugar de destaque é sinal do prestígio do "mito" é importante lembrar que os presidentes brasileiros tem esse privilégio desde a atuação de Oswaldo Aranha, que foi ministro de relações exteriores de Getúlio Vargas, presidiu a primeira sessão especial da Assembléia bem como a segunda sessão ordinária ocorrida em 1947. Estas duas reuniões foram fundamentais para que fosse aprovada a criação do Estado de Israel, com voto do Brasil.

Desde então o (a) mandatário(a) brasileiro sempre abre a Assembléia Geral da ONU, Foi assim com todos, entre os quais podemos citar Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma e agora Bolsonaro. O que muda no discurso é o conteúdo.

E o discurso de Bolsonaro teve um conteúdo que falhou quando tratou-se de um aspecto importante: relação com a realidade. Se não, vejamos. Fica nítida a impressão que Bolsonaro (do mesmo modo que Trump) deixou de negar não só a ciência como agora passa a negar a realidade, ou seja, mente sem nem sequer ficar corado. Seu discurso é rico em significados como, por exemplo, começar por ser importante estar discursando na ONU "num momento é que o mundo necessita da verdade para superar seus desafios", ou seja, ele cria na audiência a expectativa de que irá trazer a verdade na sequencia de seu discurso. Essa passagem não está ali por acaso.

No trecho em que tratou do enfrentamento à Covid19 disse que as políticas de isolamento social, por decisão judicial, eram tarefa dos governadores e que ele ficou apenas o envio de recursos aos Estados. O que ele não contou foi que fomos o único, ou um dos únicos países, que ficou sem ministro da saúde em meio á pandemia e com uma absurda, quase infantil restrição na divulgação de dados sobre a doença. Para quem acha que eu exagero basta lembrar que foi graças a esta postura birrenta do governo Bolsonaro que criou-se um consórcio de empresas de comunicação afim de tabular e divulgar os dados nacionais da pandemia nos diversos estados brasileiros. E, claro, mais uma vez atacou a imprensa ao comentar que tentou-se disseminar o pânico na população através do slogan "fique em casa".  Parece que Bolsonaro vive numa redoma, numa bolha pois, apesar de ter feito uma reverência às vítimas da Covid19 sempre deu a impressão que foi "só uma gripezinha". Aí está mais uma prova. 

Em seguida afirma que salvou o país do caos quando implementou o auxílio emergencial "em parcelas que somam aproximadamente mil dólares". Isso mesmo...mil dólares que, na cotação atual de R$5,40 daria algo em torno de cinco mil e quatrocentos reais.  Uma pergunta rápida: você conhece alguém que tenha recebido algum valor perto disso em auxílio emergencial do governo federal? Pois é...

O que é preciso relembrar às pessoas é que inicialmente, depois da pandemia estar em grande intensidade em meio a população brasileira, o ministro Paulo Guedes sugeriu o auxílio de 200 reais que, depois da discussão no Congresso, a oposição conseguiu elevar para 600 reais e que agora ficará em 300 reais até o fim do ano. Isso sem esquecer os inúmeros problemas com a aglomeração das pessoas que buscavam o auxílio nas agências bancárias. E, evidentemente, que ele não poderia deixar de citar a hidroxicloroquina em seu discurso em mais uma lamentável passagem. 

Outra afirmação de Bolsonaro dá conta é que seu governo defende a aliança com qualquer parceiro, na área de tecnologia, que preze "pela liberdade e pela proteção de dados". Eu nem vou comentar muito...só vou sugerir que as pessoas que estão lendo minha coluna que assistam aos documentários "Privacidade Hackeada" e "O dilema das redes". Está tudo ali, o que menos se tem é proteção de dados e liberdade no meio virtual e, em ambos, o processo eleitoral em que Bolsonaro foi eleito aparece como exemplo de influência do meio virtual. Uma das forças que elegeu Trump em 2016 foi a empresa Cambrigde Analytica e sua ação nas redes sociais. Então não venha dizer que há liberdade nos EUA.  Um das principais frases do documentário "Privacidade Hackeada" é "O direito aos dados são os novos direitos humanos".

Enfim, o discurso de Bolsonaro na ONU foi recheado de inverdades e nos fez passar vinte minutos de vergonha na comunidade internacional.

Sugestão da semana: o documentário "O dilema das redes", no Netflix


Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.



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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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