Olá a todos e todas!

Tudo bem com vocês?

Por aqui estamos caminhando sempre.

Na semana passada o tema central, que dividiu o mundo em antes e depois foi o discurso do Lula no feriado nacional. Mostrei como as palavras ditas por esta personagem que é relegada a terceiro ou quarto plano ainda pesam. E como pesam. Tanto que motivaram ações de personagens da justiça brasileira na sequência daquela semana. Se quiser (re)ler, clique aqui.

Agora vou tratar de novo sobre aquela chaga que insiste em aparecer entre nós. Vou falar sobre Racismo. Sim, estamos em pleno século XXI e ainda temos que lidar com atitudes racistas em qualquer lugar do mundo. É importante que se diga que nenhum lugar está livre de ser palco de atitudes racistas. 

Pode ser no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos ou em algum país do velho continente e o que vou tratar aqui é o que ocorreu na França, mais precisamente em uma partida envolvendo o jogador brasileiro Neymar.

Vou me permitir não descrever o ocorrido pois até aqui todos e todas já devem ter visto as cenas inúmeras vezes e o que quero tratar aqui é da repercussão do ocorrido e alguns de seus desdobramentos.

Primeiramente é importante destacar que parece que Neymar teve algo entre uma tomada de consciência. Consciência de que é negro e que pode, apesar de viver numa bolha social derivada de sua condição financeira, ser vítima de racismo. Neymar deu-se conta, da pior forma, que não está livre de sofrer atos racistas. O jogador expressou toda a sua indignação em suas redes sociais.

Algumas pessoas, com a intenção de critica-lo, trataram de lembrar que no passado o atleta disse que nunca sofrera com racismo por "não ouvir o que acontece em campo", "por só se preocupar em jogar bola". Precisamos entender que Neymar disse isso há uma década atrás e que naquela época vivia sim numa redoma e sim ele só dava importância para jogar bola. Agora não, agora Neymar cresceu e precisou sofrer um ato racista para amadurecer.  Bem, pelo menos amadureceu. Precisamos saber quais serão os posicionamentos de Neymar apartir de agora. Se irá seguir o exemplo de Louis Hamilton de posicionar-se contra o racismo em qualquer lugar do mundo. 

Mas, e sempre tem um "Mas" em tudo...

O que mais impressionou nas atitudes de Neymar e de Hamilton? Neymar foi expulso e Hamilton será investigado pela FIA se sua atitude, no pódium da mais recente, corrida foi política. Hein? Como?  

Nos programas de debate esportivo alguns apresentadores puseram em dúvida se realmente Neymar sofrera um ato racista de seu adversário, uma vez que não se tem a imagem...tipo vocês queriam o que? Queriam que o cara viesse até a câmera da emissora de tv e dissesse para todo mundo ler os lábios dele os xingamentos racistas?

A verdade é que essa dúvida só favorece o racista pois fica aquela sensação de "Será mesmo? Será que o Neymar não tá exagerando?" É quase como se fosse dito com outras palavras..."Ah. Neymar, deixa de mimimi".

A sociedade tem que parar de "passar pano" para racista. Temos que aprender a punir as atitudes racistas com a força que elas merecem. Quando se duvida do racista está se dando o aval para que continue. Se Neymar vai despertar sua consciência crítica e vai posicionar-se frontalmente na luta contra o racismo só o desenrolar dos meses poderá nos mostrar. Em momento algum me coloquei aqui no lugar das pessoas que sofrem racista. Estou na verdade aqui com sentimento de empatia para com as pessoas que sofrem racismo.

Temos que lembrar todos os dias as palavras de Angela Davis: "Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista."


Livro da semana: "Como conversar com um fascista", de Marcia Tiburi.


Até semana que vem.


Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.


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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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