Olá a todos, todas e todes! Como vocês estão? Por aqui vai-se indo...

Qualquer governo, independente da ideologia, é sempre motivo de pauta. O governo Bolsonaro é um manancial de pautas pois para qualquer lado que se olhe tem assunto a ser tratado.  A abordagem jornalística do governo Bolsonaro já foi motivo de análise nesta coluna. Na semana passada, busquei um termo na literatura de George Orwell para explicar como vejo este cenário: Novilíngua. Se você quiser (re)ler a coluna anterior, clique aqui. O governo Bolsonaro tem um passado sombrio de relações duvidosas, para dizer o míninimo, e neste passado tem uma personagem que  se destaca: Fabrício Queiroz.

O nome Queiroz já é sinônimo de "rachadinhas" , prática em que o assessor do político recolhe dos funcionários do gabinete todos os meses um percentual do salário, e isso já foi esmiuçado por setores da imprensa. É importante dizer que é uma prática muito comum, inclusive quando ainda nem se tinha um termo para defini-la. 

Fabrício Queiroz era assessor de gabinete de Flávio Bolsonaro e costumeiramente recolhia os valores e efetuava os depósitos (em várias vezes) na conta do então deputado estadual da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Esta prática foi incansavelmente explicada nos telejornais durante meses e isso acontece até os dias de hoje. Porém, em raros momentos, a prática é relacionada à corrupção. Elabora-se, então, um discurso jornalístico que não relaciona o fato concreto "rachadinha" com o conceito geral "corrupção". 

Se voltarmos no tempo, poucos anos, mais precisamente entre 2014/2016 veremos no noticiário político brasileiro uma palavra sendo dita o tempo inteiro: Corrupção. Porque? Por que era notícia as investigações da Lava Jato que, com sede em Curitiba, movimentava o cenário político nacional. Agentes políticos e empresariais eram levados para prestar depoimento e, muitas vezes, saiam já algemados. Expressões como "delação premiada" caíram na boca do povo e eram o mote dos jornais diários e dos programas de televisão.

Aqueles eram tempos em que as investigações e as reportagens eram a respeito de empresários e de suas relações com o então governo federal de Dilma Rousseff (PT). Colar na administração federal o adjetivo da corrupção foi muito fácil. Desta vez o discurso somado ao imaginário fez com que qualquer coisa que remetesse ao Partido dos Trabalhadores fosse sinônimo de corrupção. Deste modo é válido que se note que o uso do termo "Corrupção" na descrição da ação depende de quem seja o agente público envolvido. Como se vê, repete-se a prática da Novilíngua, só que de um outro modo, conforme citado na coluna anterior. A formação da opinião pública passa, obrigatoriamente, pelos diversos meios de comunicação, do rádio até o podcast, de tal modo que a referência ou não da expressão "corrupção" ajuda no desenvolvimento da opinião pública e, por que não dizer, no senso comum.

Voltando agora à questão envolvendo Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e as tais "rachadinhas", pergunto: Que nome você daria?

Filme da semana: "Boa Noite, Boa Sorte" (2005)

Livro da semana: "Redes de indignação e esperança", Manuel Castells (2012)

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado
PodCast SobreTudo: by Ulisses Santos

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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