Olá a todos, todas e todes! Tudo bem com vocês? Dentro do atual possível, aqui vai-se indo...

Na semana passada discuti a respeito da classe média e de suas atitudes individualistas, isso tudo com uma série de exemplos. Acesse aqui se quiser ler a coluna. Pois depois de fazer outras observações, tanto durante esta semana quanto buscando na lembrança outros exemplos, cheguei a conclusão que apresento no título e que irei discutir nesta coluna: somos uma sociedade doente.



É importante frisar que o "estar doente" não refere-se à crise da Covid-19, sendo algo muito mais abrangente. Assistimos diariamente momentos de violência policial sendo justificados da forma mais ignóbil pelas autoridades: quem de nós não ficou horrorizado com a comerciante de 51 anos tendo seu pescoço pisoteado por um policial na periferia de São Paulo?

No caso da comerciante vimos que o agressor agiu com extrema violência e que a reação de seus superiores foi de mostrar o óbvio "não faz parte do procedimento operacional da corporação". Ah, é? Ainda bem, né? Ao lembrar do ocorrido com George Floyd nos EUA poderíamos supor que seria um procedimento universal das polícias: capítulo I do manual de abordagem "Como se imobiliza alguém na periferia? Coloca o (a) indivíduo (a) no chão e pisa no pescoço."

Evidentemente que devemos acreditar que estas ações são exceções à regra dentro das corporações, mas, ao mesmo tempo, temos que admitir que são muitas exceções. Temos praticamente um fato isolado por dia.  Daria para fazer uma relação imensa de fatos isolados e é contra isso que devemos nos colocar e exigir das autoridades de segurança uma postura firme afim de excluir estes maus profissionais.

Um momento que causou indignação foi a ação da PM de São Paulo contra um motoboy no centro da capital paulista. Em momento algum se justifica esta atitude violenta daquele representante da forças de segurança. Nos vídeos da agressão podemos escutar o motoboy dizendo "Eu não consigo respirar", impossível não lembrar de George Floyd e seu destino fatal. Mais uma exceção.

Aqui em casa sempre acreditávamos que a sociedade sairia melhor desta crise pandêmica. Hoje não temos mais tanta certeza, ou melhor, começamos a crer que estamos recrudescendo em termos de comportamento. José Saramago, o saudoso escritor português, ao caracterizar seu pessimismo sobre a humanidade certa vez falou "Eu sou tão pessimista que acho que a humanidade não tem remédio. Vamos de desastre em desastre e não aprendemos com os erros. Para solucionar os problemas da humanidade, os meios existem  mas não são utilizados." É importante que se diga o Nobel de Literatura não viveu uma pandemia e também preciso dizer que concordo com seu pessimismo.

Será que a humanidade tem solução? Eu acredito cada vez menos numa resposta positiva.

Livro da semana: Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão

Filme da semana: José e Pilar, documentário de 2010, sobre o escritor português.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado
PodCast SobreTudo: by Ulisses Santos

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras. (Sim, hoje é quinta.)
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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