Olá, todos, todas e todes! Vocês estão bem por aí? Por aqui, vai-se indo...

A coluna tem-se se tornado um espaço monotemático. Só escrevo sobre o (des)governo Bolsonaro e suas derrapadas e elas são várias. Pauta é o que não falta. Na coluna da semana anterior, mais uma vez tratei de uma delas, leia aqui se quiser.

Em tempos anteriores sempre se ouvia a reclamação que nunca tínhamos tempo para parar. Afinal, tudo era "pra ontem". De repente, um vírus trouxe uma doença que tornou-se uma pandemia e, a partir disto, foram estipuladas regras de distanciamento social chegando-se, em alguns lugares, ao lockdown - que é o fechamento de todos os serviços e comércios bem como o fluxo de pessoas por completo. Aqui vou apresentar uma linha cronológica de algumas atitudes de que a classe média só pensa em si, agindo muitas vezes como rebanho.

Antes da pandemia do Coronavírus é sempre bom lembrar qual foi a atitude da classe média quando ocorreu a ameaça de desabastecimento dos postos de gasolina devido a greve dos caminhoneiros. Lembram?  Uma corrida aos postos e uma elevação estratosférica do preço do litro do combustível. Esta é uma primeira demonstração recente de como age a classe média em momentos de crise. Só pensa em si.

No começo do isolamento viu-se um maior respeito pelas regras e as pessoas entendiam a importância de ficar em casa. Por um lado, o que se viu, de algumas pessoas, foi uma corrida aos supermercados para um super abastecimento das casas das pessoas.  Aqui outra amostra de como a classe média age.

A própria campanha de setores da grande imprensa, antes empenhados em divulgar hashtags como #FicaEmCasa, desapareceu. Se antes era comum sua presença nos telejornais e programas dos mais diversos, hoje isso não se verifica mais. Evidentemente que a classe média pauta-se por estes setores da imprensa, ou será o contrário. Digamos que seja um dilema "tostines": é a grande imprensa que escreve a partir do que veem da classe média ou é a classe média que reage de acordo com o que lê/ouve/vê na grande imprensa?

Nos primeiros dias da pandemia, achavam que seria como "férias", um "eu vou ali e já volto". Porém, o que se viu foi um crescimento vertiginoso de casos e mortes no Brasil e no Mundo, o que provocou a continuidade da quarentena para todos nós. Com o passar do tempo, a classe média, reverberando o discurso do governo federal, começou a exigir a flexibilização da quarentena para o retorno da atividade econômica.  Em mais uma demonstração de "total empatia" com a situação de crise da saúde pública vivida no Brasil todo. Pelo país repetiram-se carreatas exigindo a flexibilização. Em mais uma demonstração de como pensa a classe média brasileira.

Com a pressão advinda de setores políticos e sociais, os mais diversos governadores e prefeitos começaram a elaborar programas graduais de flexibilização que, segundo os mesmos, são fundamentados em princípios científicos. Definiram-se cores de bandeiras que caracterizavam uma maior ou menor intensidade na quarentena. Enquanto isso, o presidente agia fortalecendo o discurso anti-científico próprio dos fascistas, colaborando para que não fosse respeitos os protocolos, por mínimo que fossem.

Shoppings, bares e restaurantes permaneciam fechados ou funcionando no sistema "pegue e leve", impedindo que o consumidor ficasse no ambiente. As pressões pela reabertura só aumentavam, apesar da curva de casos estar em crescimento, longe do momento de platô. E a classe média seguia em carreatas pelo seu direito de beber uma cervejinha e comer um petisco ao ar livre ou, simplesmente, ir à balada.

Em determinado momento, veio a tão sonhada abertura de restaurantes e bares e com isso a maior demonstração do que a classe média é feita. Bares e restaurantes abertos, aglomeração como em períodos de normalidade e a máscara...bem, só uma mera lembrança, motivo de riso de alguns.

O momento de "total empatia" classemediana foi quando uma moradora do Rio de Janeiro referiu-se a um funcionário municipal com a frase que dá título à coluna.Para a moça que ofendeu o funcionário municipal, muito mais importante que ser cidadão é ser "engenheiro civil...e com diploma". Na escala de valores dela, ter diploma além de ser diferencial social é sinônimo de inteligência. Devido a repercussão de sua fala, a empresa em que trabalhava acabou por demiti-la. Em momento algum, desejou-se para ela algo como isso, o que possivelmente ela o faria, mas pelo menos, agora ela tem motivo para ficar em casa e respeitar a quarentena.

A moça em questão deu a demonstração mais cabal de que Marilena Chauí estava certa quando verbalizou seu sentimento a respeito da classe média e sua caracterização em vídeo que se tornou famoso. Clique aqui para vê-lo.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado
PodCast SobreTudo: by Ulisses Santos

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.






Compartilhe:

Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

Deixe seu comentário:

0 comments so far,add yours