Olá gentes! Tudo bem com vocês? Como estão? Por aqui vai-se indo...

Durante o auge da Operação Lava Jato ficamos acostumados a uma prática corriqueira: a divulgação de trechos dos depoimentos. Se jornalisticamente alguns justificavam pela relevância do conteúdo essa atitude, outros caracterizavam a exposição dos trechos com outra expressão: vazamento. Afirmavam que, independente do conteúdo ali expostos, havia a situação da pessoa como depoente.

Por um bom tempo fomos bombardeados com toda a sorte do notícias a respeito do que falavam os depoentes da Lava Jato e quando era algum político ou técnico ligado ao primeiros escalão do governo essa exposição ocorria estrategicamente num dia determinado: Sexta-feira. Possivelmente para abastecer os jornais e telejornais no final de semana bem como nas capas das revistas semanais.
Moro foi figura frequente nas capas das revistas semanais brasileiras, quem não lembra das famosas capas de Istoé e Veja  em que era colocado frente a frente com Lula?



Quando Bolsonaro começou a montar seu ministério o primeiro , ou um dos primeiros, a ser convidado foi o então juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro. Após reuniões ele aceitou ser ministro da justiça e segurança pública do futuro governo. A partir do anúncio, Moro começou a ser tratado pelo governo e setores da imprensa como "super ministro", um dos pilares do novo governo e braço forte contra a corrupção. Em quase dois anos de governo pouco foi visto no ministério de Sérgio Moro que fosse ação efetiva e proposta elaborada por ele. 

Comentei numa coluna anterior que se viu o chamado "super ministro" minguar no cenário político e, com isso, perder força e referência institucional. Somou-se a isso um confronto com o presidente que teve seu ápice com sua autodemissão. Na coletiva que anunciou sua saída, Moro foi categórico ao afirmar que sofrera influência direta do presidente da República, inclusive posteriormente apresentaria diálogos com a deputada Carla Zambelli, do PSL. Se quiser ler a coluna em que começo a analisar esta nova crise política do (des)governo Bolsonaro, em meio a crise pandêmica, clique aqui

Ato contínuo, o agora ex-ministro foi convocado para depor na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Aquela mesma em que ele mesmo havia colhido inúmeros depoimentos de pessoas denunciadas na Operação Lava Jato, especialmente aqui, o ex-presidente Lula.  Agora, Moro estava na condição de depoente. A expectativa nacional era que houvesse a apresentação de outras denúncias corroboradas com provas substanciais. Porém, as oito horas de depoimento resultaram em apenas dez páginas impressas em que, pelo o ex-ministro apenas repetiu o que havia dito em seu discurso de despedida do ministério. Aparentemente, sem apresentação de prova alguma.

Enquanto isso, nos hospitais e nas ruas do Brasil viu-se o cenário da pandemia da Covid19  se alastrando e a ausência das coletivas do ministério da saúde a respeito e em Brasília, a movimentação de Bolsonaro para nomear o novo ministro da justiça e o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Afinal, "você tem 27, e eu só quero a do RJ!". Essa frase deixou de ser "suposta" pois as ações do governo federal acabaram por confirma-la.

Depois de todas ações ocorridas entre Moro e Bolsonaro, a pergunta do título permanece mais forte. Afinal, tudo aquilo foi uma cortina de fumaça para esconder outros problemas? Reflita e deixe seu comentário.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.




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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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