Olá amigos, amigas e amigues! Tudo bem com vocês? Por aqui, dentro do possível, vai-se seguindo em frente.


Venho escrevendo sobre o meu cotidiano nestes dias de isolamento e, como sou professor, na coluna mais recente discuti sobre como o Brasil tornou-se uma nação do "homeschooling" da noite para o dia. Se quiser ler, para concordar ou não, clique aqui.

Quando estamos em nossa casa, acreditamos que nossa privacidade está protegida. Estará mesmo?
Alguns aplicativos sempre pedem os dados, pelo menos e-mail, para que possamos fazer o download. "Só" o e-mail? O que será feito com o endereço? De alguma forma, seu conteúdo será acessado? A produção cultural sobre invasão de privacidade é extensa e antiga. De certa forma, George Orwell já tratava disso no ambiente autoritário do "Grande Irmão", de seu clássico "1984", de 1949. Naquele ambiente, as pessoas que pensassem diferente do pensamento governamental deveriam pedir desculpas em frente a um aparelho de televisão. No cinema podemos citar o filme "Invasão de Privacidade", de 1993 que se passa num prédio em que as pessoas são monitoradas por um dos moradores. 

Neste mundo em que colocamos fotos, vídeos e comentários nas redes sociais, estamos sempre esperando como prêmios "likes" e comentários. Porém, ao mesmo tempo, exigimos privacidade. O que importa saber é que a privacidade como entendemos ou entendíamos até o advento da Internet não existe mais. Se houver seu conceito deverá ser reformulado. Em uma sociedade líquida, como previra Zygmunt Bauman, a privacidade é reescrita praticamente do zero. Como exemplo de filmes que tratam deste assunto, assista "Snowden - Herói ou Traidor" e "Privacidade Hackeada", ambos disponíveis em sites de streaming. 

Se no primeiro é apresentado a história de Edward Snowden, que trabalhou para o governo estadunidense e montou um sistema de segurança - que depois tornou-se de espionagem mundial - e, finalmente, sua denúncia ao jornalista inglês do jornal The Guardian, Glenn Greenwald ; no segundo título, é um documentário que mostra como este sistema influenciou na eleição de Donald Trump através da apropriação das informações pessoais do eleitores (de seus nomes aos seus desejos e interesses),fazendo com que Trump direciona-se suas falas para o que os eleitores queriam ouvir.

A privacidade, ou sua falta, no cenário virtual é redefinida - para dizer o mínimo - e, muitas pessoas não se deram conta disso ainda. Evidente que este ataque à privacidade ganha uma maior intensidade a partir do 11 de setembro de 2011, quando torna todos nós, pelo menos, suspeitos.  A desconfiança, de que a partir de uso de certas palavras sua comunicação é copiada pelo governo estadunidense, é confirmada quando no filme "Snowden - herói ou traidor" é apresentada a investigação em camadas: do político, passando por sua esposa, seu irmão, sua irmã (e cada um com sua respectiva rede de contatos e destes contatos e suas respectivas redes).  Em determinado momento, segundo Snowden, estariam investigando duas mulheres conversando sobre botox. Em resumo, ninguém está livre de ser espionado.

Com a Pandemia do CoronaVírus, os governos trataram de "colocar suas garrinhas de fora". É bem verdade que a intensidade depende do quanto o governo pretende investigar sua população e até onde isso é possível com a rede de internet à disposição. Países como Israel já anunciaram medidas com este intuito. Mais recentemente, o Brasil comunicou que faria um monitoramento da população através de seus celulares afim de saber onde estariam ocorrendo aglomerações. Esta atitude não escapou do radar da equipe deste site sendo devidamente debatida pelos colegas Adriano Garcia e Claudio Porto na TV Jovens Cronistas. Devido à repercussão negativa o governo federal, pra variar, voltou atrás.

O debate está posto. Você aceitaria ser monitorado desde que este monitoramento fosse devido, e apesar por causa, à pandemia do Coronavírus? E se este monitoramento tomasse outra proporção e invadisse os dados/privacidade física da pessoa, por exemplo: o sistema saberia como a pessoa reagiu (bem ou mal) a um pronunciamento do presidente ou de outra autoridade política? E se o discurso da autoridade fosse movido/dirigido por estas emoções das pessoas?  Assisti a um vídeo em que entre outras coisas é debatida a vigilância das populações. Se quiser ver também, clique aqui 

Como vocês podem notar, temos mais perguntas do que respostas.
Desta forma, está na hora de irmos atrás delas e/ou produzi-las.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a coluna

A coluna Sobre Tudo é publicada todas as terças-feiras.





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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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