E aí corajosos, corajosas e corajoses?

E aí, corajosos, corajosas e corajoses?
Tudo bem por aí? Por aqui vai-se indo...


Sempre que um professor é escolhido paraninfo de uma turma - seja no ensino médio, seja no superior- o que se tem é uma relação de identidade. Os alunos escolheram aquele professor por se identificarem com sua forma de ser, de agir e, em grande medida, de pensar. Numa cerimônia de formatura exige-se das pessoas presentes, antes de qualquer coisa, respeito pelo ambiente e também pelos professores que compõe a mesa bem como seus afilhados.

Sou professor da rede pública estadual no Rio Grande do Sul e com muita satisfação fui paraninfo de inúmeras turmas de Ensino Médio. As cerimônias tem, nas homenagens aos professores e os respectivos discursos, momentos em que, além de agradecer ao destaque dado pelos alunos, o professor chama seus afilhados e os presentes na platéia à reflexão sobre os mais variados assuntos.

Mas nem sempre os convidados comportam-se como manda a vida em sociedade. Foi o que aconteceu no último dia 07 de março, na formatura da turma de Jornalismo na Unisinos, em São Leopoldo (RS). Durante seu discurso, o paraninfo Felipe Boff foi interrompido inúmeras vezes com vaias. A tônica de sua fala, disponível para qualquer que dê uma busca nas ferramentas disponíveis, era a crítica aos sistemáticos ataques do (des)governo Bolsonaro aos jornalistas e sua profissão. Para ilustrar seu discurso, Boff lembrou uma passagem em que o presidente, ao tentar desqualificar uma jornalista, comentou que ela havia querido "dar o furo" a um depoente de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). Em outro, a citação fazia referência a um desejo(?) presidencial: "Vocês são uma raça em extinção."

O paraninfo fez seus discurso em meio a um oceano cada vez maior de vaias. Como um discurso ao alertar para o perfil totalitário e fascista do atual governo é vaiado? Qual o conceito de democracia das pessoas vaiaram este paraninfo?

E o mais assustador, por incrível que pareça, pelo menos para mim é que o paraninfo saiu escoltado quando o correto seria que se parasse a cerimônia para que alguém da mesa fizesse um discurso mais enfático, mesmo de improviso, em defesa de democracia e do jornalismo. Devia-se dar, como se deu, proteção ao paraninfo, porém deveria fazer uma repreensão pública aos agressores. Era importante que não saíssem da situação com um sentimento de impunidade.

A quem, ao tomar conhecimento deste fato, deu de ombros, cabe um alerta: amanhã a vítima pode ser você!

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado.

Sobre a coluna

A coluna Sobre Tudo é publicada todas as terças-feiras.



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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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