E aí corajosos e corajosas?

Tudo certo?

Por aqui, vamos indo. Aqui, como vocês já devem ter notado, cada semana é um assunto diferente.Na semana passada, o assunto foi o Oscar 2020 - leia aqui, hoje trataremos da facilidade do (des)governo Bolsonaro em pautar a imprensa por meio de falas aparentemente despropositadas. Ah, antes que vocês pensem alto eu me adianto: nada que este governo faz é por acaso.



Todas as semanas, desde o início do (des)governo Bolsonaro, são marcadas por falas de ministros que são usadas para desviar o foco. É o secundário tomando lugar do essencial. E, nesses dias que vivemos, este secundário acaba por pautar as redes sociais. E a última semana não foi diferente. Se já tivemos ministro imitando Gene Kelly, presidente "mandando banana" pra imprensa, desta vez tivemos mais uma capítulo em que a luta de classes se fez presente.
Evidente que estou me reportando à fala do ministro Paulo Guedes sobre o absurdo que era "empregada doméstica viajar pro exterior". Mais do que sua fala ser dirigida às empregadas domésticas, seu alvo são os assalariados que se beneficiavam, das condições econômicas favoráveis, para poder viajar de avião. Ou seja, eu,você que lê esta coluna e seus familiares, amigos....
Portanto, meu caro e minha cara, o ministro se referia ao assalariado de um modo geral naquela fala semana passada. O termo "empregada doméstica" foi figura de linguagem. Quando vi/ouvi a fala do ministro Paulo Guedes me veio a mente postagens eivadas de preconceito como esta do ministro. Para ficar em um exemplo, no auge das manifestações depois de 2013, circulou pelas redes sociais uma selfie feita em um aeroporto em que o objetivo era mostrar um cara de chinelos de dedo na sala de embarque. Lembram? a legenda era algo do tipo "O aeroporto virou uma rodoviária". Aquilo tudo desembocou na fala do ministro. Entendeu, agora?
Impressiona o conteúdo das falas de alguns ministros deste (des)governo, além de Paulo Guedes, podemos citar ainda Ricardo Sales e Damares Alves. São momentos de constrangimento explícito para qualquer pessoas que se considere minimamente saudável. Por outro lado, o ministro, que expõe seu preconceito ou sua falta de domínio da língua portuguesa, não se sente incomodado, muito pelo contrário, acha-se no direito de justificar sua exposição como se estivesse incomodando a "patrulha ideológica". O presidente Bolsonaro, quando justificou as queimadas da Amazônia, como sendo obra dos indígenas, colaborou para o FEBEAPÁ de sua administração.

Esse (des)governo me lembra aquele chocolate: "Cada dia uma surpresa."
P.s.: isso que eu não comentei do recolhimento de livros didáticos, do pedido de artistas pelo fim da meia-entrada...é cada dia uma surpresa.
Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado.

Sobre a coluna

A coluna Sobre Tudo é publicada todas as terças-feiras.
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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