E aí vamos nós!

Essa semana vou comentar um pouco sobre o Oscar 2020.

Sempre que posso assisto alguns filmes que concorrem (quando eram cinco até era tranquilo. Mas agora são nove candidatos. Fica difícil...). Este ano consegui ver o brasileiro "Democracia em Vertigem"- que concorria ao Oscar de melhor documentário - e ainda deu tempo de assistir "1917", "Era uma vez em...Hollywood", "Parasita", "Coringa". Cada uma destas obras tem formas e temáticas diferentes de modo que fica difícil fazer uma comparação crua.


1917:  filme sobre a primeira guerra mundial. O cotidiano de dois soldados que tem a missão de levar uma mensagem a um grupamento que enfrentará o inimigo horas mais tarde. (Sabe a lenda por trás da Maratona? Em 490 a.C, ao soldado Fidípides foi dada a ordem de buscar ajuda em Esparta antes da batalha de Maratona. Pois é...foi o que eu lembrei durante o filme). Uma características interessante de 1917 é que o diretor Sam Mendes fez o filme como se fosse todo filmado sem interrupções, numa tomada só. P.S.: o truque está nas cenas à noite. Pronto falei.)

Era uma vez em...Hollywood: o nono filme de Quentin Tarantino, que prometeu fazer apenas 10 filmes mostra o cotidiano de um astro de cinema (Leonardo di Caprio) e seu dublê (Brad Pitt). Se tu gostas da estética Tarantinesca, te joga que vale a pena.

Coringa: nem vou dizer que vale cada centavo ir vê-lo no cinema se é que existe alguém que AINDA não viu este filme que é um tapa na cara da doente sociedade contemporânea. Só pra constar: Joaquin Fenix levou TODAS as premiações com esta atuação.

Parasita: filme sul-coreano que mostra a relação entre duas(?) famílias numa casa e nos mostra como o capitalismo age subvertendo os valores numa sociedade em que tudo parece relativo ou líquido: "Se disso depende a minha sobrevivência, não tem porque eu não fazer"

DEMOCRACIA EM VERTIGEM

O Brasil já disputou outras vezes a estatueta mais cobiçada do cinema mundial. Podemos citar entre tantos "O Pagador de Promessas", "O Quatrilho", "O Que é isso, companheiro?" e "Central do Brasil". Porém sempre ficamos no quase. Dessa vez não foi diferente. O documentário "Democracia em Vertigem" mostra a visão da diretora Petra Costa dos eventos políticos e sociais que levaram ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Cenas desde a posse de Dilma e uma excelente análise da imagem da posse (do momento em que recebe a faixa presidencial de Lula até a descida ladeada pelo ex-presidente e por seu vice-presidente, Michel Temer). A caracterização de Temer e suas mãos é algo digno de aplauso. Todo documentário mostra a visão de quem o pensa, de quem o roteiriza. Portanto, não cobrem que "apareçam os dois lados da moeda". Não dá. Não é assim que funciona) Se acham que a obra de Petra Costa é diferente de qualquer documentário assistam "Roger & eu", "$aúde", só pra citar duas peças do documentarista estadunidense Michael Moore.

Quando Democracia em Vertigem foi lançado na plataforma Netflix a imprensa brasileira, com raríssimas exceções, deixou que a obra passasse em brancas nuvens. Os comentários foram raros, destaque quase nenhum. Houve uma pequena mudança quando foi indicado ao Oscar de melhor documentário. Os editores de jornais televisivos viram-se obrigados a, pelo menos, citar a indicação e sugerir um resumo da obra.

O que se viu na semana anterior a premiação é digno de nota: a  grande imprensa brasileira assumiu seu lado. O descaso com a obra de Petra Costa era visível. A "ginástica" que emissoras, como a rede Globo, fizeram para não citar obra brasileira em suas matérias sobre a edição do Oscar foi patética. Sabe aquele papo de "somos isentos"? Esquece.

O próprio presidente ao descer do carro e dirigir-se ao grupinho de fãs que ficam  na murada, também mostrou sua indignação com o teor da obra. Torcer para que o Oscar viesse para o país pela primeira vez? Nem pensar. Mas o melhor estava para vir. Ao receber a estatueta de melhor documentário, a diretora concluiu sua fala com um trecho do Manifesto Comunista(1848) e frase "Trabalhadores de todo o mundo, Uni-vos". Todos aplaudiram: nós da esquerda, pela citação e pela participação de Petra Costa, e a fascistaria por não se dar conta do que acabara de ouvir.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a coluna

A coluna Sobre Tudo é publicada todas as terças-feiras.
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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