As campanhas na área da saúde têm símbolos, como o laço em diversas cores, em todos os meses do ano

Em todos os períodos da História, a humanidade sempre procurou expressar-se através das cores. Na atualidade, movimentos sociais criam símbolos coloridos, podendo ir do arco-íris e as lutas do movimento LGBTQI+ ao roxo do feminismo.


As políticas públicas na área da saúde utilizam durante o ano cores para determinar que tipo de campanha será realizada em qual mês, podendo ser de combate alguma doença ou mesmo de esclarecimento e ações de prevenção.

É importante notar que essa relação entre mês e/cor independe de qual partido esteja no comando do Poder Executivo. Todos parecem ter entendido a importância das campanhas de combate ou mesmo de incentivo às práticas para que a população tenha uma saúde plena.

No anuário das cores, algumas repetem-se como azul, laranja e vermelho. O azul está presente nos meses de março, abril (mês de debate e conscientização sobre o Autismo) e novembro que trata da prevenção e combate ao câncer de próstata. O laranja aparece nos meses de fevereiro (conscientização da lúpus, do alzheimer, fibromialgia e a leucemia) e dezembro, que inicia a estação mais quente do ano, a cor representa a luta contra o câncer de pele. O vermelho, por sua vez, colore os meses de maio (campanha de esclarecimento sobre hepatite), junho (voltado à campanha de doação de sangue), setembro (os cuidados com a saúde do coração) e dezembro na campanha de prevenção da aids. O mês de março fica colorido pelo azul em seu tom escuro para que seja esclarecida e debatida a prevenção ao câncer colorretal.

Daiane e seu filho Bernardo
O autismo ou TEA, Transtorno do Espectro Autista, é um diagnóstico que está no cotidiano de muitas famílias brasileiras, como comenta a professora Daiane Almada: “Quando o Bernardo tinha três anos e meio, começamos a desconfiar da possibilidade do autismo. Fomos atrás de um neurologista. Por ele ser pequeno, não queriam dar diagnóstico, mas o médico disse da possibilidade do autismo. Ainda lembro do som do silêncio de dentro do carro. Passei quase seis meses com um sentimento de luto, não falava com ninguém sobre o assunto. Um dia minha vó disse que se eu falasse com as pessoas sobre o Bernardo, eu melhoria e as pessoas passariam a entender alguns comportamentos dele.”

A família precisa adaptar seu dia-a-dia ao atendimento daquele membro que necessitará apoio com os mais diversos profissionais, de fonoaudiólogo a psicopedagogo, psicólogo, entre outros. Em muitos casos, buscam na Justiça garantias para que o tratamento não seja interrompido. “A primeira coisa é o diagnóstico. Sem diagnóstico, não se consegue nada.Em seguida pedimos administrativamente os atendimentos. Depois de 15 dias, veio a negativa do convênio. O passo a seguir foi o processo na Justiça, baseados na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante à criança saúde e pleno desenvolvimento. Depois de quatro meses mais ou menos, o convênio foi condenado a pagar o tratamento. Nesse meio tempo, pediram três orçamentos de cada profissional. A juíza acabou decidindo pelo menor valor de 140 reais, dando um total de R$ 3.700,00 por mês. O convênio teve o valor bloqueado de um período equivalente a seis meses”, conta Daiane.

A conquista nos tribunais trouxe um certo alívio à família de Bernardo, segundo Daiane: “Ganhar esta liminar foi uma conquista que estávamos esperando muito, pois conseguimos hoje ver uma luz para o Bernardo.”

A respeito do abril azul, mês dedicado às campanhas de esclarecimento sobre o TEA, Transtorno do Espectro Autista, Daiane considera importante: “É necessário para a conscientização de todos, para enxergarem as pessoas com TEA com um olhar de inclusão. Há aqueles que acham que o autista é louco e, além de me dar um profunda tristeza ao ouvir isso, noto como as pessoas estão mal informadas. Falta sensibilização. E nessa data, eu vejo como oportuno a mídia mostrar que não é uma doença. É uma condição que está atrelada às suas condições sociais, mas podem ter uma vida normal.”

O laço, que inicialmente aparecia apenas nas campanhas de prevenção e esclarecimento sobre a aids, agora é usado em todos os meses, servindo como ferramenta para que a população em geral entenda que naquele mês há uma campanha de nova abordagem. Para a médica Luciane Fagundes, coordenadora da saúde da criança da Secretaria Municipal da Saúde de Gravataí, “o uso do laço nas diversas campanhas é fundamental para ajudar a visualizar o que está sendo feito.” A coordenadora reforça que, mesmo em tempos de redes sociais, é importante o uso de material impresso nas campanha para que as informações cheguem às comunidades carentes.

A coluna SobreTudo será publicada todas as terças-feiras.
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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