Foto: Telmo Ferreira/Estadão

Galera da torcida palestrina, o Palmeiras foi a Belo Horizonte para completar a última das 38 voltas da corrida do Brasileirão 2019, corrida em que buscávamos o pódio apenas, já que o campeonato todo comeu poeira do Flamengo esse ano.

O que poderia ser apenas um tedioso domingo de despedida de temporada frustada, foi na verdade de longe o jogo mais aguardado a semana toda, um jogo que tinha a atenção de todos, afinal, o Cruzeiro Esporte Clube, nascido também Palestra Itália tinha a iminente chance de ser rebaixado pela primeira vez em sua história. E cabia ao primeiro Palestra a missão de apenas não perder para que isso fosse concretizado.

Entramos em campo com formação parecida com a da goleada ante ao Goiás, mudando apenas o agora aposentado Edu Dracena com Antonio Carlos (cujo eu espero ter jogado sua ultima partida por esse clube) no lugar.

Diferentemente daquela partida contra o Goiás, o clima do jogo de hoje era massivo, torcida única, toda a audiência voltada para os dois confrontos decisivos do dia, Palmeiras X Cruzeiro e Botafogo X Ceará.

O Palmeiras em campo se portou bem, não fez uma partida volumosa como havia feito contra o Goiás, mas foi dono do jogo desde o apito inicial, alguns jogadores como Veiga e Lucas Lima, como sempre, sumidos e pouco produtivos, outros como o Zé Rafael, que tomou várias decisões erradas ao longo da partida, que mostravam vontade acima de tudo.

O Cruzeiro nervoso, apático, perdido, só realmente teve um momento de tentativa de obter algum volume após a empolgação e festa da torcida ao comemorar o gol do Botafogo que abria o placar no Rio de Janeiro e assim dava todas as condições para que o Cruzeiro escapasse apenas com uma simples vitória no jogo. Foi pouco, pouquíssimo e nada durou.

O time azul não tinha ideia do que fazer com a bola, que não conseguia impor velocidade nem na transição defensiva, nem na ofensiva, reflexo do que foi toda a trajetória do time no campeonato.

Por mais decepcionante que fosse a temporada do Palmeiras, ainda assim era a segunda melhor defesa do campeonato e o segundo time que menos perdeu enfrentando um time que havia feito 1 gol nos últimos 7 jogos, e foi numa derrota por 4 a 1 para o Santos, o bendito gol não chegou nem perto de acontecer.

O segundo tempo passou a ser agonizante para os rivais e deu maior tranquilidade para o Palmeiras até que ele, Dudu, sempre ele, tira um passe lindo de calcanhar que encontra Veiga para o cruzamento e chute de primeira de Zé Rafael, desmoronando quaisquer esperanças que o torcedor cruzeirense ainda tivesse. Para piorar, momentos depois do gol o Ceará ainda viria a empatar o jogo frente ao Botafogo.

Foi aí que a bendita conhecida do futebol brasileiro apareceu... as famosas CENAS LAMENTÁVEIS  surgiram das arquibancadas e o terror passou a cobrir o lendário estádio do Mineirão. 

Cadeiras quebradas, bombas explodindo por todo lado e jogadas a própria torcida única ali residente. O Cruzeiro que já não tinha por onde tirar forças, ainda tomaria o segundo gol, dessa vez de Dudu e que causaria ainda mais revolta a ponto do juiz terminar o jogo com 40 minutos no relógio.

O Cruzeiro Esporte Clube estava rebaixado, o Palmeiras com a vitória atingiria a maior marca de um vice campeão, mas o critério de desempate nos colocou em terceiro, atingindo o recorde de pontos também.

Foi se embora uma temporada de sonhos, de esperanças, expectativas, todas elas jogadas no lixo por uma diretoria incompetente, de planejamento pífio e de troca de técnicos para tentar apagar os péssimos erros que ela mesmo fez.

É incrível como a frase acima se encaixa exatamente para os dois palestras, mas em magnitudes adversas. 

Cabe a nossa diretoria sentar, fazer um planejamento pautado e corrigir tudo de errado que fizemos esse ano, de deixar um início de campeonato arrasador, escapar pelos dedos pós Copa América, de um estilo de jogo que já ficara obsoleto e que necessita urgentemente de uma mudança na mentalidade da equipe, para que tenhamos força para competir e não sermos eliminados como fomos em Copa do Brasil, Libertadores e até Paulistão como fomos.

A diretoria até deu sinais de que irá pensar diferente, de suprir algumas lacunas com os multi campeões que temos na base. De mudar o estilo de jogo e buscar se equiparar ao Flamengo, pois da maneira que estamos, não temos condições de igualar forças.

Mas ainda falta nessa diretoria gratidão, uma diretoria que faz o que fez com Fernando Prass esquece que é o nosso maior ídolo desde a aposentadoria de Marcos. Prass assumiu pegar a bronca em 2013, ainda na Serie B, nos deu o título da Copa do Brasil, o primeiro título de nossa grande fase nesse século. E mesmo assim o deixou sair pela porta dos fundos, sem pronunciamento, sem um digno OBRIGADO.

E ao torcedor cruzeirense que de alguma maneira parou pra ler esse texto. Cabe a vocês cobrarem, é óbvio que vocês são os últimos a terem culpa no cartório com toda a desgraça sucedida com o clube de vocês. Dirigentes, tecnicos, jogadores, todos tem uma parcela massante de culpa, mas alguns de vocês foram ludibriados pelos títulos e abraçaram o discurso mentiroso da diretoria que gastou o que jamais teve condições de gastar e pagou o preço caro por isso, um preço que marcará o gosto amargo eternamente na mente dos apaixonados pelo clube. 

Mas fiquem sossegados, cair é horrível, mas não é nada mais que um castigo para péssimas campanhas. Os titulos brasileiros e de copas do Cruzeiro continuarão lá, inapagáveis, e o amor da torcida também.

Time grande cai, e mais um caiu punido pela arrogância de uns e irresponsabilidade de outros.

Até o ano que vem pessoal.

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João Paulo Travain

26 anos, formado em história na Universidade Estadual do Paraná-Campus Paranavaí. Amante de música, e futebol, sendo adepto fanático pela Sociedade Esportiva Palmeiras e da Juventus F.C e o Boston Celtics.

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