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Eleições 2018 – Haddad é Lula e vice-versa

Com leitura de nova "Carta ao Povo Brasileiro", ex-prefeito de SP é o ungido de Lula; enfim começa a eleição presidencial para o PT

Como esperado, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad será o candidato do Partido dos Trabalhadores – PT à Presidência da República e, com isso, estão postas todas as peças do tabuleiro eleitoral. Ao lado da deputada estadual no Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila (PC do B), candidata na condição de vice na nova configuração, Haddad assume a cabeça da chapa após a coligação Povo Feliz de Novo, de PC do B e PROS, além do PT, recorrer a todas as instâncias, no campo jurídico e eleitoral, em defesa da candidatura do ex-presidente Lula, em um imbróglio que se arrasta desde a condenação em 2ª instância do petista, em janeiro deste ano (clique!). 
Imagem: Cartunista Claudio Mor
O anúncio oficial, feito na tarde de terça (11), vem na esteira dos revezes no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, que negou o pedido de candidatura de Lula – apesar de o Comitê de Direitos Humanos da ONU garantir o direito de sua participação –, e no Supremo Tribunal Federal – STF, com a negativa do ministro Celso de Mello a um dos recursos que pedia a suspensão da decisão da Corte eleitoral. A decisão do partido acompanha as pesquisas de intenção de voto, que apontam para o crescimento de Fernando Haddad antes mesmo da formalização junto ao TSE.

Em levantamento divulgado na noite de segunda (10), o instituto Datafolha apresentou, em números, o potencial da estratégia petista em realizar a troca de candidatos somente após o esgotamento das apelações – isso, a pouco mais de 20 dias do primeiro turno de votação. Entre os cenários analisados, a pesquisa destacou que a candidatura de Haddad cresceu cinco pontos percentuais, de 4% para 9% na estimulada – quando é apresentada aos entrevistados uma ficha com o nome dos 13 presidenciáveis –, e que, pela primeira vez, aparece com 4% na espontânea – quando o entrevistado cita o candidato sem a necessidade da ficha. Dos 2.804 entrevistados em 197 municípios, 33% afirmam que “com certeza” votariam e 16% “talvez” dariam o voto ao novo candidato petista, enquanto 49% reforçam, com a veemência, que “nunca” colocariam 13 na urna. O dado é importante, já que se trata de 49% do eleitorado – entrevistados pelo instituto – considerando votar em apenas um candidato enquanto, ainda segundo a pesquisa, o mesmo número tende a escolher um entre os outros 12 candidatos restantes. 
Imagem: Chargista Pataxó
Tanto a pesquisa Datafolha quanto a última do IBOPE, na opinião do articulista, consagram a tática da sigla – preferida por pouco mais de um quarto do eleitorado e que, a considerar os levantamentos, teria força o suficiente para eleger um candidato em 1º turno. Se no primeiro Datafolha desta semana – o instituto deve divulgar outro levantamento na sexta (14) – Haddad a figura no chamado “2º pelotão”, ao lado de Ciro Gomes – PDT (12%), Marina Silva – REDE (11%) e Geraldo Alckmin – PSDB (10%), o IBOPE divulgado nesta terça (11) coloca Haddad com 8% das intenções, também empatado tecnicamente na segunda colocação, e aponta para a estabilização do potencial de transferência de votos de Lula. Em 5/9, a aferição realizada pelo IBOPE dizia que 22% e 17% votariam “com certeza” e “poderiam votar”, respectivamente, no ex-prefeito paulistano enquanto desta vez os números são 23% e 15% para as mesmas respostas: “com certeza” e “poderiam votar” em um universo de 2.002 entrevistados. Jair Bolsonaro (PSL) segue aparentemente consolidado na dianteira das duas pesquisas, com 24% e 26%, de acordo com Datafolha e IBOPE, respectivamente.

Sem tecer análise sobre a eficácia – que só poderá ser medida na forma de votos, em 07/10 – e a considerar da data de 15/08, com o registro das candidaturas e o início da campanha eleitoral, até a terça 11/09, o período parece ter sido exitoso para o PT, que soube trabalhar os números favoráveis de simpatia partidária e o ativo eleitoral: a figura do ex-presidente Lula que, dos 15 metros quadrados de sua cela em Curitiba, planejou os passos de Haddad e lançou mão de sua experiência para retardar o começo da campanha de seus concorrentes.
Imagem: Charge de Renato Aroeira
Apesar de correntes internas do PT divergirem quanto à melhor data para a substituição, o ex-presidente, com a força de guru, articulou para que o fosse não na data-limite, em 17/09 – como consta da lei eleitoral – , e sim com tempo suficiente para Haddad e Manuela D’Ávila percorrerem o País na defesa de um programa de governo que, ao lado da candidatura de Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL) – este com melhor plataforma, veio à somar no debate de ideias. A propósito, pegando como parâmetro as recentes entrevistas do agora presidenciável petista, a campanha deve manter o clima ameno – sem apelação e bem mais agradável em comparação ao pleito de 2014, quando a ex-presidente Dilma Roussef (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) recorreram a difamações entre si e contra a então candidata Marina Silva, à época no PSB – e ganha o debate de ideias. Mesmo com as alianças, principalmente no nordeste do País, o documento do partido protocolado como programa de governo junto ao TSE carrega propostas pertinentes e plausíveis.

Fernando Haddad deve seguir à risca as orientações de Lula que, à princípio, pediu para focar esforços no eleitorado que teria migrado para candidatos do mesmo espectro, sobretudo Ciro Gomes. A missão, de acordo com o IBOPE, não é difícil. Segundo o instituto, 6 de cada 10 eleitores do pedetista no nordeste afirmam que trocam o candidato pelo o “ungido” do ex-presidente. Para isso acontecer, Haddad precisa se fazer conhecer, principalmente naquela região – reduto petista, onde o ex-presidente, caso pudesse, seria o candidato de ao menos 50% do eleitorado em todos os nove estados.
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)
O ex-prefeito sabe que a tarefa será árdua. Não por acaso sua equipe de campanha publicou um vídeo com o mesmo título deste artigo, em que as imagens de Lula e Haddad se fundem em referência à afirmação de que “Haddad é Lula” (reproduzo abaixo), e Ciro Gomes, agora concorrente direto, aproveitou-se para vocalizar a estratégia de seus assessores de destacar a derrota de Haddad na corrida pela Prefeitura de São Paulo em 2016. Anunciada primeira no jornal Folha de S. Paulo e posta em prática horas depois em passeata pelo município paulista de Taboão da Serra, como manda a boa cartilha eleitoral – sem demérito e ciente de que tem de ser assim –, a tática de recordar, de forma aparentemente despropositada, que Haddad perdeu a reeleição para João Dória, além de não ter muito fundamento, já que o cenário em 2016, entre outros pontos, era catastrófico ao PTcomentado à época pelo JC! (clique!) –, também não deve surtir efeito em um eleitorado que, sim, tende a deixar as candidaturas do PDT e REDE. E mais, em nada contribui para a missão de levar um candidato da esquerda  ou progressista, se preferir  ao segundo turno. 
Vídeo: Reprodução / Canal "Partido dos Trabalhadores" no Youtube

Haddad dará sequência a estratégia petista de tratar os concorrentes do mesmo espectro, especialmente Ciro Gomes (PDT), com indiferença e tocar sua cruzada como quem tem vantagem – por conta da figura e do apoio de Lula – na exploração de um grupo de eleitores que, no mínimo, garante um lugar no segundo turno. O movimento de migração só não acontece se o debate de propostas for bem trabalho pelo pedetista e, no caso da REDE, pela sua Marina Silva (REDE) e a deficiente retórica do “dialogar” e “debater”. Pode-se dizer que a eleição, de fato, começa agora. 

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