Única candidata mulher na corrida pelo Bandeirantes, Arelaro marca posição à esquerda do espectro político paulista


Pedagoga, com doutorado em Educação, e professora titular sênior da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP, a campineira Lisete Regina Gomes Arelaro – Professora Lisete na urna – encabeça a chapa do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL na disputa pelo governo do estado de São Paulo. A candidatura faz parte da coligação “Sem medo de mudar São Paulo”, de PSOL e do Partido Comunista Brasileiro – PCB, que tem como candidato à vice o também professor Maurício Costa Ramalho, de 37 anos, docente da Rede Emancipa Educação – projeto social voltado a cursinhos preparatórios para estudantes da rede pública de ensino.
Foto: Divulgação / USP Talks
Com atuação em pesquisas na área de Política Educacional, Planejamento e Avaliação Educacional, Financiamento da Educação Básica e Educação Popular, Professora Lisete Arelaro, de é a única mulher entre os 12 candidatos e fez história como professora e diretora de escola, nos ensinos fundamental e médio, e da Faculdade de Educação da USP, de 2010 a 2014. Sua trajetória pública iniciou-se no final da década de 1980 quando integrou o estafe de Paulo Freire, secretário municipal de educação na gestão municipal de Luiza Erundina (1989-1992), e guarda passagens como o comando a Secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer em Diadema, por duas vezes, de 1993 a 1996 e de 2001 a 2002. Hoje ela é ex-presidente do Fórum Nacional de Faculdades e Centros de Educação Públicos e da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação. Filiada desde 2015 ao PSOL, Lisete Arelaro declarou ter bens avaliados em pouco mais de 800 mil reais.

A candidatura de Arelaro defende um programa de governo de “combate à desigualdade, destruição e hostilidade” que, de acordo com o documento registrando junto ao TRE, são frutos do longo tempo em que o estado está sob as asas tucanas. Entre as diretrizes, a campanha de Arelaro entende que as desonerações fiscais, na ordem de 156 bilhões neste ano, e a permissividade de governos do PSDB sobre dívidas de grandes empresários, na casa de 350 bilhões em 2017, são mecanismos para o aumento da desigualdade em todo o estado. Para tanto Arelaro defende uma auditoria da dívida pública e o fim de instrumentos como a distribuição de incentivos fiscais para empresas que, no entender da candidatura, estão em São Paulo “pela infraestrutura e pela gama de serviços de excelência oferecidos”.
Foto: Reprodução / Facebook
Para o item “destruição” o programa de Arelaro analisa a simpatia tucana pelas privatizações, concessões, terceirizações e leilões de bens públicos, que vão desde rodovias aos hospitais regionais, e lembra que o PSDB trabalha bastante para garantir o lucro das grandes empresas em detrimento da maioria da população paulista, como, por exemplo, nas políticas insuficientes coordenadas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e na política de desenvolvimento “predatória” que desconsidera “importantes recursos naturais”, citando a parceria entre a legenda tucana e a Sabesp, “um grande problema porque combina desigualdade social e econômica com destruição dos recursos hídricos”, nas palavras do documento.

Quanto ao ponto “hostilidade” dos três pilares, a plataforma da professora diz que “os governos do PSDB trataram como inimigos as mulheres, a negritude, a juventude da periferia, a comunidade LGBT, os trabalhadores e trabalhadoras e as pessoas usuárias dos serviços de saúde”. De acordo com o documento, os governos tucanos em SP guardam uma pretensão: “controlar as pessoas através do medo”.
Foto: Karime Xavier
Na contramão, a candidatura de Lisete propõe uma “revolução a partir da educação”, com “investimento e oportunidades para a juventude”, “poder popular para democratizar o estado” e “enfrentamento e redução das desigualdades com direitos sociais” como prioridades em um eventual governo psolista.

Lisete promete a criação do Bilhete Único Estadual, acompanhada da expansão da malha dos transportes sobre trilhos e ampliação de linhas de ônibus intermunicipais; se compromete a manter a juventude matriculada no ensino médio, técnico e universidades por meio de bolsas, programas de estágio e monitorias; assegura o combate a sonegação de impostos no estado; e garante a destinação de verba, já na Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO para políticas públicas voltadas à “população LGBTI+, às mulheres, juventude, negros e negras e pessoas com deficiência”.
Foto: Márcio Fernandes
Valorização da agricultura familiar, priorização de projetos que utilizem energias renováveis, meta de “zero desmatamento”, implantação gradativa da tarifa zero no transporte público, criação de faixas exclusivas para ônibus nas rodovias da região metropolitana e de ciclovias intermunicipais também constam do programa de governo de Lisete Arelaro que ainda propõe investir em políticas sociais e urbanas nos territórios alvo do tráfico de drogas e barrar a privatização de presídios no estado.


A candidatura de Lisete, uma professora altamente gabaritada e que trabalhou com Paulo Freire na gestão Erundina, no momento em que há um candidato que defende o mandato do PSDB, que protagonizou absoluto desmonte em todos os setores da política educacional enquanto prefeito, fechando salas de aula e bibliotecas, deixando de investir em equipamentos públicos de educação e cortando até mesmo o leite e o transporte de crianças, é uma importante marcação de posição do partido contra isso. É uma candidatura ideológica importante e que segue o plano e as propostas do PSOL, partido que tem um conteúdo programático próprio, onde o candidato a ele se encaixa.
Foto: Divulgação / PSOL

Nos debates e entrevistas, Lisete mostrou preparo para lidar com todos os temas. Apesar disso, seu nome não é suficientemente conhecido pela população, fazendo com que, infelizmente, a candidata não supra a lacuna que existe hoje na esquerda do espectro político paulista. Assim, acaba sendo apenas marcação de posição, com quase nula esperança de ir ao segundo turno, em um cenário em que isso poderia ser possível dada a fraqueza de Dória e Skaf, que lideram`as pesquisas muito mais pela falta de adversários qualificados,do que pela própria competência.


Dito isto, observa-se que fosse a própria Erundina ou Ivan Valente (apesar de ser um grande deputado e um grande puxador de votos em tempos de cláusula de barreira), e até mesmo Gilberto Maringoni, que carregaria a vantagem de já ter concorrido - em 2014, portanto ser mais conhecido pela população, além da boa oratória, poderiam ser nomes que pudessem lutar mais fortemente para absorver os órfãos votos da esquerda em São Paulo, e com isso lutar para avançar ao segundo turno, em igualdade de condições, e modificar a cultura do atraso, do mercantilismo e do privatismo instaurada em São Paulo. Como não foi o caso, ainda assim Lisete é mais do que preparada para protagonizar tais ideias e defendê-las no debate político, que muito por culpa do candidato que defende o mandato tucano e lidera as pesquisas, tem se caracterizado mais pela retórica vazia do que por propostas para o estado.

Por: Claudio Porto e Adriano Garcia


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