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Eleições 2018 – Conhecendo o candidato: Ciro Gomes (PDT)

Pela terceira vez na corrida, Ciro tem um dos melhores programas de governo

Natural de Pindamonhangaba, município do interior de São Paulo, e radicado no estado nordestino do Ceará, Ciro Ferreira Gomes – Ciro Gomes na urna – é candidato à Presidência da República pelo Partido Democrático Brasileiro – PDT, na coligação “Brasil Soberano”. Apesar da presença do nanico Avante – antigo PTdoB – , a chapa de Ciro é pura e composta pela senadora Kátia Abreu, filiada ao PDT no estado de Tocantins.
Foto: Dida Sampaio
Com patrimônio declarado de aproximadamente 1,7 milhão de reais, Ciro Gomes tem 60 anos de idade, sendo 56 deles vividos parte em Sobral, interior do Ceará, e parte na capital Fortaleza, onde cursou direito pela Universidade Federal do Ceará – UFCE. Lá, iniciou sua atividade política ao apoiar a candidatura do pai à Prefeitura de Sobral e, depois, ao participar da luta estudantil, pelo movimento católico de esquerda Habeas-Corpus. Formado, Ciro voltou à cidade de sua família onde trabalhou como advogado e deu aulas até chefiar a procuradoria do município de 1980 a 1982, por indicação de seu pai que havia ganhado a eleição municipal e ainda era o prefeito.

Em 1982, o hoje candidato à Presidência disputou e ganhou sua primeira eleição para ocupar uma das cadeiras da Assembleia Legislativa cearense, como deputado estadual.  Reeleito em 1986, Ciro abriu mão de seu segundo mandato para, em 1988, disputar a Prefeitura de Fortaleza. Eleito, ele voltou a abandonar um cargo público para concorrer à outra função – desta vez o governo do estado do Ceará, em 1990. Aos 32 anos de idade, Ciro Gomes havia ganhado todos os pleitos em que participou desde a primeira filiação partidária, em 1982, no Partido Democrático Social – PDS, antigo ARENA, o partido da Ditadura Militar, passando pelo Movimento Democrático Brasileiro – MDB, de 1983 a 1990, e PSDB, onde ficou de 1990 a 1997.
Foto: Pedro Ladeira
Quatro anos depois, em 1994, Ciro deixou o governo do Ceará com índice de aprovação em 74%, para integrar a equipe ministerial do presidente Itamar Franco. O pouco tempo à frente do Ministério da Fazenda – não completou quatro meses –, não impediu o presidenciável pelo PDT de deixar sua marca na implantação do Plano Real e na redução da alíquota de produtos importados. Com a saída do ministério da fazenda e o término do governo Itamar, Ciro seguiu para os Estados Unidos, onde estudou na Universidade de Havard. De volta ao Brasil, ele se desentendeu com FHC e decidiu se filiar ao Partido Popular Socialista – PPS, legenda em que buscou, sem sucesso, a Presidência do Brasil por duas vezes, em 1998 e 2002, esta última em uma derrota para o ex-presidente Lula que o escolheu para ser ministro da Integração Nacional, cargo que exerceu de 2003 a 2006. 

Em 2006, já pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB, Ciro participou das eleições para a Câmara Federal e ganhou como deputado federal pelo estado do Ceará. Já em 2010, cogitou-se que o PSB o lançaria como candidato a presidente do Brasil, o que não aconteceu. Daquele período até a atual postulação, Ciro cancelou sua filiação ao PSB em 2013, quando a sigla deixou a base do governo da ex-presidente Dilma para apoiar Eduardo Campos, e migrou para o Partido Republicano da Ordem Social – PROS, onde ficou de 2013 a 2015.
Foto: Vinícius Santa Rosa
Durante o hiato político, já que o mandato de deputado federal terminara em 2011, o candidato Ciro Gomes atuou como comentarista esportivo na rádio Verdes Mares, estação do grupo de comunicação parceiro da Rede Globo no estado do Ceará. No PDT desde 2015, ele, antes de encarar a terceira eleição presidencial, foi secretário estadual de saúde e esteve no comando da Transnordestina Logística S/A.

“Socialista democrático em permanente revisão”, como se define, Ciro se coloca contra privatizações irrestritas; a favor da taxação de dividendos e de heranças ao mesmo tempo em que corta privilégios; e na oposição das medidas tomadas pelo (des)governo do presidente-nosferatu Michel Temer, a quem ele chama de “quadrilheiro”.  Sem papas na língua, ele é lembrado por declarações controversas e temperamento explosivo. O que explica seu discurso seguir pela linha de que é um candidato sem envolvimento em escândalos de corrupção.
Foto: Fátima Meira
No documento “Diretrizes para uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento para o Brasil”, protocolado junto a sua candidatura no TSE, Ciro Gomes destaca, de antemão, que não se trata de um programa de governo propriamente dito e sim “diretrizes que vamos (segundo o candidato) discutir com a sociedade”. Em um cenário de altos índices de desemprego e de endividamento familiar e empresarial, a candidatura pedetista propõe, entre outros pontos, “políticas e oportunidades para criar e manter empregos para uma população em idade de trabalhar, que chegou a 169 milhões de pessoas em junho deste ano” e afirma que “o Estado precisa, junto com o setor privado, viabilizar um volume de investimentos de, aproximadamente R$ 300 bilhões ao ano (praticamente 5% do PIB) para recuperar a infraestrutura do país”, o que geraria cerca de 350 mil novos empregos, segundo a plataforma.

As diretrizes ainda preveem que “armar as pessoas vai provocar um número de mortes ainda maior (um ‘banho de sangue’)” e apresentam como saída para o problema da segurança pública a melhoria das condições de trabalho das forças de segurança e da inteligência investigativa, e o controle do tráfico de armas, com a implementação de uma política e de um sistema único (informatizado) de segurança pública em âmbito nacional.
Foto: Diorgenes Pandii
A candidatura de Ciro Gomes defende uma reforma da Previdência Social que divide o atual sistema em três pilares, em que o primeiro, financiado pelo Tesouro, “seria dedicado às políticas assistenciais; o segundo pilar corresponderia a um regime previdenciário de repartição com parâmetros ajustados em relação à situação atual; e o terceiro pilar equivaleria a um regime de capitalização em contas individuais”. Ainda para a área econômica, as diretrizes de governo propõe que o Banco Central tenha duas metas: “a taxa de inflação e a taxa de desemprego, como ocorre nos Estados Unidos”.

“Recriação da Secretaria das Mulheres”“combate à evasão escolar de adolescentes grávidas, com focos nos estados do Norte e Nordeste”“criação do Comitê Nacional de Políticas Públicas LGBT” ainda constam do documento que, ao todo, divide-se em 12 itens, em referência ao número da legenda na urna.


Com preparo e propostas em todas as frentes, a candidatura Ciro se apresenta como ótima opção no campo tanto à esquerda como naquele que não adere a ultra-direita representada por Bolsonaro. Apesar de o pouco tempo de TV, parece ter ficado claro para parte do eleitorado que esta candidatura tem um projeto viável para o País, dado o cenário em que o pedetista venceria todos os cenários de 2º turno, segundo as últimas pesquisas. 

Ainda na metade do tempo de campanha deste primeiro turno, no momento, o candidato busca consolidar-se entre os primeiros - merecidamente, pois trabalhou e planejou isso -, e tem, agora, como grande desafio a disputa individual com Fernando Haddad (PT) pela vaga no segundo turno. Que ela se dê dentro do campo propositivo, afinal, são dois excelentes quadros políticos.


Por: Claudio Porto e Adriano Garcia .

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