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JC Agora

Eleições 2018 - Márcio França expõe a cisão do PSB com o PSDB em SP


Com a proximidade cada vez maior das eleições, que este ano são no âmbito estadual e nacional, cada vez mais os candidatos terão tribunas, tanto para aparecerem para o público e mostrarem suas propostas, quanto para serem apertados (uns mais, outros menos, dependendo do campo político) pelos colegas jornalistas.

As segundas-feiras á noite serão sempre um dia marcado para isso acontecer, são três as tribunas e nesta segunda (7) tivemos primeiramente no Roda Viva da TV Cultura o pré-candidato á Presidência da República Guilherme Boulos (PSOL/SP), depois no Band Eleições o entrevistado foi o também pré-candidato á Presidência Ciro Gomes (PDT) e por fim no É Notícia da RedeTV conduzido pela (competentíssima) Amanda Klein, o governador em exercício de São Paulo Márcio França (PSB),  que segundo ele por "não ter nada a perder", será candidato ao Governo de São Paulo.


Na muito bem conduzida entrevista, França mostrou desenvoltura, comentou o desconhecimento que a população além baixada tem dele, apresentou algumas boas ideias, que nem parece saírem da mente de um (até então) aliado do PSDB, elogiou o seu padrinho político Geraldo Alckmin que vai disputar (ao menos até então) o Planalto, mas chamou a atenção a forma dura com a qual ele atacou João Dória, provável adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, mostrando que apesar da escassez de boas opções no pleito Paulista, temos tudo para ter uma disputa quente.

Em vários momentos da entrevista, o governador colocou que o "Gestor" não é um homem de palavra, e que esta seria sua principal característica, que segundo ele, sentiu-se traído no seu apoio e em seu voto, cujo Dória prometeu honrar por quatro anos, além de afirmar que é impossível fazer uma avaliação de um mandato como o de Dória (pra nós é possível sim e a avaliação é péssima) de apenas um ano. Outro ponto polêmico do fulminante ataque de França ao ex-prefeito, foi deixar em dúvida se Dória ainda não pode tentar substituir Alckmin como representante do partido no pleito federal, claro, instigado pela entrevistadora. Além disso, afirmou que "podem aparecer coisas melhores para outros candidatos" e para ele não (como governador em exercício, apenas pode disputar o cargo que ocupa) e por isso é o "único" candidato garantido no pleito estadual.

No campo das propostas, muita retórica, mas algumas interessantes, que como já dito, nem parecem vir de um político em aliança com o PSDB, a que mais chamou atenção foi de criar um projeto de ensino superior público que garanta vaga "automática" a todo aluno que sair da rede pública de ensino. A proposta é linda, mas dificilmente aplicável, conhecendo a especulação universitária por dentro como conheço, afirmo sem pestanejar que mesmo que haja vontade política e recursos para tal, as grandes corporações de ensino "superior" jamais permitiriam isso.



Na Band, o entrevistado foi Ciro, que se portou muito bem, mostrou muito preparo, muita força. Entrevistado por Fernando Mitre, Júlia Duailibi e Rafael Colombo, o ex-governador do Ceará passou equilíbrio, mas com firmeza, tanto que as cascas de banana nesta entrevista não foram tantas, claro que Ciro não foi acarinhado como foi feito com Fernando Henrique Cardoso no Canal Livre da mesma emissora um dia antes, mas foi uma entrevista honesta de ambas as partes e bastante esclarecedora.

Os pontos importantes da entrevista trataram da relação com o PT, onde Ciro elogiou Fernando Haddad dizendo: "O Haddad seria um grande presidente, que dirá um grande vice", mas cobrou maior equilíbrio de Gleisi Hoffmann, atual presidente da sigla e afirmou que é preciso expandir o diálogo.

Ciro disse também que não admite a transferência das empresas e recursos do Brasil para o capital estrangeiro, afirmando (o que concordamos) que: "Nenhum país civilizado faz isso". E afirmou não haver nenhuma possibilidade de governar com o MDB (tiraram o "P" pra disfarçar) pois eles são uma quadrilha. 


No centro do Roda Viva, Boulos também se portou muito bem e marcou o pontapé inicial no âmbito midiático da campanha.

As perguntas foram bem mais duras que as direcionadas a Ciro e o candidato portou-se bem e mostrou-se preparado, apesar de ser o mais jovem candidato á presidência da República na história do país.

Os pontos mais altos da entrevista foram quando ele reagiu com firmeza a tentativa de culpar as vítimas do descaso do poder público com a população mais pobre, pela necessidade de ocuparem espaços de moradia. Além de ter rechaçado a ideia do Esquerda Caviar, afinal, se uma pessoa de classe média-alta como ele vai para as ruas e conhece a realidade de sua cidade e de seu país, é dessa pessoa que se espera luta para transformar a realidade. Até porque o projeto de alienação dos governos e até mesmo dos veículos de massa, faz com que a população se coloque alheia ao processo político e praticamente escravizada por aqueles que os elegem, um exemplo claro disso é como o trabalhador proporcionalmente paga muito mais impostos que os detentores das grandes riquezas do país, que recebem ainda perdão fiscal.


Rapidamente comentando notícia desta terça (8), do momento em que produzíamos esta crônica, o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa (PSB) afirmou que em decisão "estritamente pessoal", não irá candidatar-se ao Planalto. Pessoalmente já esperava essa decisão, Barbosa tem toda uma certeza em tudo o que faz, todo um centralismo nos projetos que conduz, a necessidade de debater por igual e de pedir o voto da população, o que culmina com a possibilidade de ser derrotado por alguém era perturbadora para ele.

Difícil apontar para onde vão os eventuais votos que Barbosa teria, segundo as últimas pesquisas 10%, mas certamente não irão para um perfil mais agressivo, seja de Esquerda ou de Direita, essas novas opções neoliberais que creem (ou fingem crer) que "o mercado tudo rege" e Marina Silva são um palpite de alguma transferência de voto que possa ter esta desistência.


Por fim, me antecipando a questionamentos, quero esclarecer que o destaque que dei ao pleito estadual é justamente pelas indefinições e o caótico cenário que se apresenta na disputa pelo pleito Paulista. Para onde correr quando as opções conhecidas da população são Dória e Skaf (o do Alexandre Pato)? Será que Luís Marinho (que hoje aparece com surpreendentes 7% nas pesquisas) tem força (além de todo o prejuízo que tem sofrido o PT, culminando inclusive na derrota de Haddad para uma caricatura) para combater estes candidatos da Direita. Será que a esquerda não poderia ter alguma opção de mais prestígio junto ao público como Luíza Erundina ou Ivan Valente? Claro que suas cadeiras são importantes para o PSOL, mas dar a sociedade uma opção a estes modelos que aí estão de ataque a população mais pobre e sucateamento dos equipamentos e empresas públicas para vender por ciclos de prata ao capital internacional, precisa ser combatido com maior força.


Lembrando que o quadro Debatendo o Debate, também nestas eleições discutirá sobre os debates no pleito presidencial e no âmbito do Estado de São Paulo e quiçá em outros estados (com outros colaboradores) com a transparência e coragem de sempre. 




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Imagens: FolhaPress, Band, Reprodução TV Cultura.


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