65ª Semana de “não aguento mais ser prefeito” a “sucateamento de uma cidade sem prefeito”




O ex-prefeito em exercício João Dória já não esconde a ansiedade em abandonar a Prefeitura na próxima semana. Dória deixa o Edifício Matarazzo e o cargo pelo qual resistiu exercer desde a eleição em 2016, na próxima sexta (06), quando passará a dita “gestão” para o vice Bruno Covas e seguirá sua caminhada política, apesar de “não ser político”, agora, em busca do Palácio dos Bandeirantes no pleito de outubro. 
 
Foto: "Carta Capital";

Até que a sexta-feira aguardada por Dória chegue, ele ainda responde como chefe do executivo municipal. E esta semana foi de algumas derrotas políticas ao executivo municipal e de mau-caratismo do, ainda, chefe do executivo. O ex-prefeito em exercício viu sua proposta de contrarreforma da Previdência Municipal ser suspensa na Câmara Municipal por 120 dias por falta de votos e, por decisão da Justiça, ainda não pode voltar a usar camisetas do Cidade Linda e fazer o gesto de Acelera SP com o dedo indicador e médio, já que o Tribunal de Justiça manteve o  entendimento de que a logomarca do programa de zeladoria e o slogan estão sendo usados para a autopromoção de João Dória.  


A falta de articulação política de Dória e também a pressão imposta por movimentos sindicais ligados ao funcionalismo público municipal, especialmente à classe de professores, fizeram com que vereadores, inclusive da base de governo, suspendessem o projeto de mudanças na Previdência Municipal. O estado de greve, que iniciou em oito de março, seguiu até a última quarta (28) e contou com inúmeros atos em frente ao Palácio Anchieta, fez os parlamentares voltarem atrás e impôs a Dória uma grande derrota política. 


Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)
O ex-prefeito em exercício se vangloriava de ter os votos suficientes para a aprovação e, na mesma terça (27) em que o projeto foi retirado de pauta, promoveu uma coletiva de imprensa na Prefeitura prometendo reajuste salarial para o funcionalismo público em troca da aprovação da contrarreforma da Previdência do município. Dória prometeu 24% de reajuste no piso salarial dos servidores municipais, que passaria de R$ 1.132 para R$ 1.400, mas, felizmente, a contrariedade do discurso, que ora prega austeridade dita necessária e indispensável, ora condiciona reajuste salarial a aprovação de projeto que dificulta o acesso à aposentadoria, foi constatado pelos servidores, que não aceitaram e pressionaram pela suspensão das mudanças. Após a decisão dos vereadores, o ex-prefeito em exercício disse que a “a Prefeitura cumpriu seu dever” enviando o projeto à Câmara e que “está com a consciência tranquila”. “Nosso dever é ter a gestão da cidade e não a gestão política da cidade. O Executivo cumpriu seu papel de mostrar a gravidade desse tema. A gente já teve um rombo de R$ 4 bilhões ano passado. Esse ano o rombo da Previdência como está será de R$ 5,8 bilhões e isso inibe, reduz, investimentos na cidade em saúde, educação, serviços, obras, mobilidade urbana, segurança pública e em serviços sociais. É grave. Nós cumprimos o nosso papel. Estamos com a consciência tranquila”, disparou, com muito cinismo, o ex-prefeito em exercício. 


Dória foi eleito, exatamente, por dizer ser um “gestor”, ou seja, por apresentar qualificações e experiência  em gerir, mesmo que no ramo empresarial. O cronista acredita ser muito pouco para um “gestor” ter apenas um plano, a contrarreforma da Previdência municipal, que aumenta a alíquota e não dispõe sobre a administração – o gerenciamento - da mesma Previdência, como solução para déficit ou queda de arrecadação. Esperava que a gestão da cidade, principalmente em relação às políticas públicas, seguisse a mesma criatividade e empenho que o ex-prefeito emprega à publicidade e discursos odiosos. Esperava algo mais elaborado do que “estamos com a consciência tranquila”. Convenha-se que é muito fácil estabelecer barreiras e, no caso, aumentar alíquota de contribuição, para reforçar o caixa financeiro da Prefeitura. 
 
Imagem: Site "Tribunal da Internet";

Ainda na semana, o ex-prefeito em exercício protagonizou mais uma de suas já tradicionais situações de mau-caratismo. Dória que, por dias, omitiu-se sobre assuntos como a morte de pessoas, incluindo uma bebê de 1 ano e oito meses, por conta do temporal na semana passada e acerca do áudio onde Denise Abreu, ex-diretora do Departamento de Iluminação, o Ilume, supõe o recebimento de propina em troca de favores para FM Rodrigues, consórcio vencedor da bilionária PPP da Iluminação (clique!), não deixou de comentar o ataque a dois ônibus da Caravana do ex-presidente Lula, no interior do estado do Paraná, na terça(27)(clique!). O ex-prefeito em exercício disse que "o PT sempre utilizou da violência, agora sofreu da própria violência", enquanto se preparava para assistir a pré-estreia da cinebiografia “Nada a Perder”, que conta a história do bispo-proprietário da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo.


Trazido a tona pela Rádio CBN na semana passada, o esquema de corrupção no Ilume só foi comentado por Dória em meados desta semana. O ex-prefeito em exercício, enquanto inaugurava o pronto socorro do Hospital Municipal de Parelheiros, na Zona Sul, já na quinta (29), pediu “investigação rigorosa” por parte da Controladoria do Município. Nesta semana, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Município recomendaram suspender a PPP até que se apurem todas as supostas irregularidades que incluem, também, áudios em que a ex-diretora Denise Abreu pede para um funcionário do Ilume mentir sobre a causas da morte de um jovem eletrocutado ao encostar em um poste energizado, no Ipiranga, em novembro do ano passado.


Vereadores querem instaurar uma Comissão Parlamentar de Investigar o suposto repasse de propinas pelo FM Rodrigues à Denise Abreu, ex-diretora do Ilume, em troca de favores na tramitação da PPP da Iluminação. Os vereadores querem, também, investigar a participação dos secretários de governo e serviços e obras, Júlio Semeghini e Marcos Penido, respectivamente. 


Dória segue sua saga de inaugurações. Nesta semana, o ex-prefeito em exercício chegou a inaugurar um pronto-socorro que entrará em funcionamento pleno, segundo a secretaria municipal da saúde, apenas no fim de maio próximo. O ex-prefeito em exercício não inaugurou o Hospital Municipal de Parelheiros, promessa antiga da Prefeitura, com obras iniciadas na administração Haddad e levado em ritmo lento nessas 65 semanas de Dória à frente da Prefeitura, mas promoveu um evento de inauguração do pronto-socorro que, neste primeiro momento, não estará à disposição da comunidade da Zona Sul. O pronto-socorro só atenderá pacientes encaminhados de unidades de saúde da região.  

  Vídeo: Reprodução / Canal "Donisete Jesus", no Youtube;


O ex-prefeito publicou vídeo enaltecendo a inauguração do hospital ainda em obras (disponibilizo abaixo), sem mencionar o enfrentamento de manifestantes e guardas civis metropolitanos na porta do evento. Estudantes, em sua maioria, menores de idade, aguardavam o ex-prefeito em exercício na porta do hospital para pedir melhores condições de infraestrutura para as escolas da região, quando souberam que ele deixaria o cerimonial sem parar para ouvi-los. Os estudantes foram reprimidos pelos guardas, que revidaram com spray de pimenta e cassetetes. Os moradores também reivindicavam a abertura do hospital e não uma inauguração “fake” como “prefake”. Assim como tem feito com os Centros Temporários de Acolhimento, os CTAs, Dória voltou a inaugurou algo que não está pronto, que não pode ser aberto ao público, apenas porque está de saída e precisa alimentar suas redes sociais. E se houver reclamação, ele ataca com discurso de ódio, ou pior, ordena sua GCM dispersar com spray de pimenta e cassetetes. Parafraseando Caetano em Sampa: “É que Dória acha feio o que não são suas redes sociais”. 

 Vídeo: Reprodução / Canal "João Dória News", no Youtube;

Enquanto projeta-se, para ele, como futuro governador do estado, Dória e seu secretariado seguem com projetos que, no mínimo, deveriam ser mais e melhor discutidos. Nesta semana, a edição de quinta (29) do jornal Folha de S. Paulo apresentou mais uma área de serviços da cidade que tem sido sucateada por esta administração. Assinada pelo jornalista Thiago Amâncio, a reportagem levantou dados e constatou que “Dória deixa obras de corredores de ônibus de SP em marcha lenta” (clique!). A reportagem diz que R$ 716 milhões em verbas destinadas a construção de corredores de ônibus foram remanejados nos 15 meses de administração do ex-prefeito em exercício. Com o valor dariam para serem construídos 30 km em vias exclusivas para os coletivos. 


A reportagem diz, ainda, que deste valor, ao menos, R$ 302 milhões foram remanejados para o programa de recapeamento de vias, certamente, pelo programa Asfalto Novo, que tem servido de cabo eleitoral para a candidatura de Dória ao governo do estado. A administração Dória prometeu construir, em seu Plano de Metas, 72 km de vias exclusivas para ônibus. Até o momento, entregou apenas 3,3 km de corredores, que começaram a ser construídos ainda na administração Haddad.


Paralelo a isto, a Prefeitura está dando andamento ao novo contrato de concessão do serviço municipal de transportes coletivos. Dória e sua administração estão alterando o sistema que promete repassar 66 bilhões de reais às empresas de ônibus da cidade. O ex-prefeito em exercício e o secretário de mobilidade e transportes pretendem criar mais barreiras ao usuário de transporte coletivo. O novo contrato estabelece mais baldeações aos usuários e reduz tanto o número de linhas como o de ônibus em circulação. Segundo a Prefeitura, a área de cobertura do sistema deve aumentar, passando dos 4.680 km atuais para 5.100 km com o novo contrato. Em contrapartida, a cidade contará apenas com 1.187 linhas contra as 1.336 atuais, e o número de ônibus em circulação cairá de 13.603 do sistema atual para 12.667 após a tramitação do novo contrato.  


O usuário que precisa deslocar-se do bairro até a região Central, com as mudanças do novo contrato, terá que realizar, no mínimo, três baldeações para chegar até o destino no Centro. Sem investimento em corredores de ônibus, pouco interesse em obras de novos terminais de ônibus e a redução no número de linhas e ônibus em circulação, a vida do usuário do sistema de transporte público municipal promete piorar, enquanto empresários – os mesmos do atual sistema – continuarão lucrando com um serviço precário e que não deveria ter como fim o lucro. 


O ex-prefeito em exercício tem sucateado, também, o serviço de saúde do município. Sob a justificativa de “reestruturação”, Dória tem fechado Unidades Básicas de Saúde, UBSs, e Assistências Médicas Ambulatoriais, as AMAs. O Ministério Público abriu inquérito pedindo que a Prefeitura apresente estudos que justifiquem a tal reestruturação. Os promotores querem entender as razões que levaram ao fechamento das UBS República e Jardim Tietê I, do serviço odontológico de emergência do Hospital Santo Antônio e das AMAs Jaçanã e Tremembé. 


Tanto o serviço de transportes como o de saúde não funcionam bem e não são suficientes. Mas a Prefeitura insiste no discurso de que o sistema de transportes ficará melhor reduzindo o número de linhas de ônibus e o número de ônibus em circulação, sem construir corredores e terminais. Assim como o de saúde será melhor com o fechamento de UBSs e AMAs, sem investimento em obras de hospitais municipais. Enquanto isso, o asfaltamento de vias vai de “vento em popa”. 


Na semana, Dória ainda lançou o aplicativo Agenda Fácil para agendamento de consultas em Unidades Básicas de Saúde participou da entrega da revitalizada Praça Júlio Prestes, no Centro.
Acompanhamento semanal do mandato de João Dória à frente da Prefeitura de São Paulo. O Gestor, como ele bem frisa, tem muito trabalho no comando da maior cidade da América do Sul, e estamos atentos a suas ações. Portanto, todo sábado, trazemos aqui um compilado da semana de Dória, ou "Semana do Gestor".
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Claudio Porto

Jornalista com predileção à análise política nacional e internacional, e em jornalismo local, comunitário.

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