Já que tudo é uma grande piada sem graça e sórdida, vai com dois “SS” mesmo!

O Brasil do (des)governo é terreno fértil para os piadistas de plantão. Àqueles que, de ouvidos limpos e olhos abertos, observam o andar da “caravana” do nosferatu Temer sobram boas anedotas para os tradicionais papos de botequins e conversas nos balcões, de pedra, das padarias pelo País.
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

Só nos últimos dias, de um ano que ainda está no início, à ordem das coisas nos presenteou com a nomeação e novela da posse da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), com direito a condenações na Justiça do Trabalho, vídeo em lancha com “bombadões” e envolvimento com tráfico de drogas; com o presidente Temer sem receber sua aposentadoria por não ter se encostado em um guichê da Previdência Social e garantido à atendente que está vivo, e juízes moralistas e ferrenhos no combate à corrupção defendendo privilégios travestidos de penduricalhos.

De Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do corrupto Roberto Jefferson e condenada em ações trabalhistas, como escolhida para assumir o Ministério do Trabalho após a saída de Ronaldo Nogueira (PTB-RS), à Temer tendo de provar que está vivo –dificílimo tratando-se de um sujeito com mãos cadavéricas – para receber um benefício que não o faz falta, com juízes e funcionários do Poder mais custoso ao orçamento público cobrando mais direitos, especialmente financeiros, o Brasil versão 2018 promete ser, na realidade, o mesmo que desde abril/maio de 2016 vem sofrendo atualizações para pior.
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

 A situação “piada pronta” de Temer ter se esquecido de ir a um guichê da Previdência, que ele tenta desesperadamente sucatear, para comprovar que está vivo mostrou como é dispensável, como não faz falta, a vasta distribuição de benefícios a quem, de fato, não precisa. Apesar de ser um direito legítimo, o benefício da aposentadoria, no caso de Temer, que ficou dois meses sem recebê-lo e só tomou providências com a recente repercussão na mídia, é inadmissível.  Percebam como deixa de ser um direito, até mesmo um benefício, e tornar-se um privilégio.

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O mesmo vale aos moralistas de toga, aqueles que deixaram de lado sentimentos de equidade e imparcialidade, como rege o símbolo-maior da classe, a divindade grega “Têmis”, e deixaram-se levar pelas exacerbações da rivalidade e paixões humanas. Os reis das ilações e convicções, por vezes à revelia de fatos e provas, custarão 48,6 bilhões de reais aos cofres públicos neste ano, sendo R$ 33,873 bilhões para o pagamento de pessoal. Parte deste valor é destinada a auxílios como o de moradia, que desde 2014 é um direito de todos os magistrados e funcionários do Ministério Público. À época, o ministro do STF Luiz Fux expediu liminar que deu acesso ao benefício a toda à classe, alegando que, mesmo com residência própria na cidade onde cumpre ofício, o magistrado ou servidor do MP tem direito ao valor de  4.377,73 reais por mês para o custeio com moradia, porque a União não oferece prédio funcional para tal. Em 2017, o contribuinte brasileiro desembolsou quase 400 milhões de reais – R$ 291 milhões com magistrados e R$ 108 milhões com funcionários do MP - para custear apenas o auxílio-moradia do Poder Judiciário.
 
Imagem: CONJUR

O benefício, que é apenas um dos muitos que eles têm direito, tem servido a todos, incluindo os recém-empossados na categoria de super-herói da sociedade brasileira: juízes Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, e Sérgio Moro, o de Curitiba.

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Ambos foram capas de jornais e portais de internet nos últimos dias por não abdicarem do benefício, apesar de serem proprietários de residências de alto padrão nas cidades em que exercem os “brilhantes” trabalhos em favor da população brasileira. No Rio, o casal “poBretas”, para o jornalista José Simão, formado pelos juízes Marcelo Bretas e Simone Diniz Bretas, é dono de um apartamento de luxo com vista para o Pão de Açúcar, alugado ao Banco Bradesco avaliado em 10 milhões de reais. Mesmo assim, o casal entrou com pedido no Conselho Nacional de Justiça para ter acesso ao direito e, com êxito, não conseguiu apenas uma, mas duas cotas do auxílio.

No Paraná, a mesma situação: o juiz Sérgio Moro, dono de um apartamento de luxo em Curitiba a 3 km de distância da sede da Justiça Federal onde trabalha, segundo levantou o jornal Folha de S. Paulo, também recebe os pouco mais de 4.300 reais de auxílio-moradia por mês.  De acordo com o jornalista Domingos Fragas, em sua coluna no portal R7, ambos os juízes, ou seja, Moro e os dois Bretas, portanto três pessoas receberam mais de meio milhão de reais em auxílio-moradia desde 2014. São 179.498 reais do juiz Sérgio Moro e 358.972 reais do casal Bretas.

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Na classe dos procuradores, o mau exemplo é Deltan Dallagnol, o sujeito do “PowerPoint” e convicções. Pré-candidato ao Senado, tudo indica que pelo Partido PODEMOS do senador Álvaro Dias (PODEMOS-PR), o procurador Dallagnol além de auxílio-moradia, também recebe mensalmente auxílio-creche para custear a educação dos filhos. Além de ter adquirido duas unidades no condomínio Le Village Pitangui, em Ponta Grossa, no interior do Paraná, financiado pelo programa Minha Casa Minha Vida, criado pelo presidente que, para ele, é responsável por todos os problemas de corrupção na política brasileira.
 
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Dallagnol, além de procurador é também palestrante, como todos os envolvidos na operação Lava Jato, e investidor imobiliário. Comprou às duas unidades, de 55 metros quadrados num condomínio com 29 blocos de apartamentos, tendo pagado a vista os valores de 76 mil reais por um e 80 mil pelo o outro, com o propósito de revendê-los com o tempo em busca de ganhos superiores. O pregador de bons costumes éticos e morais recebe auxílios sem necessidade e utiliza de programas sociais, voltados a famílias com baixa renda, no caso do Minha Casa Minha Vida de 6.500 reais, para enriquecimento próprio.  

Lembrando que Sérgio Moro, o casal Bretas e Dallagnol são apenas símbolos de uma casta maior, de altos salários e inúmeros penduricalhos. Em dados, o Conselho Nacional de Justiça diz que dos mais de 16 mil magistrados do País, 11.600 já recebem contracheques acima do permitido constitucionalmente de 33.763 reais, que, a propósito, é 15 vezes maior que a média nacional de 2.149 reais. 

E vagabundo? Ah, vagabundo é quem recebe pouco mais de 100 reais pelo programa Bolsa Família, como certamente todos os brasileiros já ouviram por aí.

Observação: Quanto às outras castas, o Executivo e Legislativo, falarei no Editorial de quinta (15), já em clima de ressaca carnavalesca, quando debateremos a importância da luta contra a contrarreforma da Previdência Social, com votação prometida para a segunda (19).

Aliás, a partir desta semana, o Editorial político do “Jovens Cronistas” será publicado sempre às terças-feiras e, esporadicamente, às quintas-feiras. Fique ligado!


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Claudio Porto

Jornalista com predileção à análise política nacional e internacional, e em jornalismo local, comunitário.

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