Vamos acompanhar semanalmente o mandato do prefeito tucano João Dória à frente da Prefeitura de São Paulo. O Gestor, como ele bem frisa, terá muito trabalho no comando da maior cidade da América Latina, e estaremos atentos a todas as suas ações. Portanto, todo sábado, traremos aqui um compilado do que o mandatário realizou em suas atribuições.



49ª Semana De rostos para a tragédia diária do “AceleraSP”  à “região periférica” onde não é periferia




Os rostos. As faces de uma tragédia permanente e diária, o #AceleraSP que integra uma escolha política do prefeito João Dória, e de alguns muitos motoristas paulistanos, estampou a edição dominical da Folha de S. Paulo. A decisão em aumentar as velocidades das marginais Tietê e Pinheiros, sem que isso tenha surtido efeito no combate aos muitos acidentes, alguns fatais, tomou a edição de domingo (03) do jornal Folha de S. Paulo na reportagem  Acidentes com mortes nas marginais contrariam discurso da gestão Doria” , de Fabrício Lobel, apresentando algumas vítimas de uma opção, o aumento de velocidade, que é uma furada desde sempre. Promessa de campanha do prefeito, a velocidade nas pistas das marginais, que na administração Haddad era de 50 km/h, foi alterada em janeiro deste ano para 60 km/h na pista local, 70 km/h na central e 90 km/h na expressa em ambas as marginais. O primeiro ano de Dória e, consequentemente, da alteração, acumula 27 vítimas fatais nas duas vias. De acordo com a reportagem, a Prefeitura justifica as mortes falando que elas não estão relacionadas com o aumento de velocidade, e que solicitações por levantamentos que sustente a posição da Prefeitura foram feitas a administração, mas sem sucesso – isso também foi constatado pela coluna Mais SP na 38ª Semana.  


A matéria, construída ao longo de três meses de investigação jornalística, mostra que os acidentes, alguns com vítimas fatais, e as formas como eles se dão, são diferentes do “cenário que vem sendo divulgado pela gestão tucana” e que o “número de mortes nas marginais até outubro deste ano indica o final de uma tendência de queda verificada em anos anteriores.”


O #AceleraSP do prefeito supera as redes sociais e demonstra como a bestialidade, que parecia ter dominado apenas o corpo esticado por “Botóx”  e tratamentos estéticos de Doria, invadiu – não de hoje –  também a cabeça do prefeito. As justificativas dadas pela Prefeitura para as mortes são sinais dessa invasão bestial que tem tomado o “cerebrito” de Dória. Uma das pérolas foi dizer que “o problema não é a velocidade. É a imprudência e desobediência à sinalização. Toda morte há de se lamentar bastante. Mas eu volto a repetir que os motociclistas precisam ter uma atenção maior ao dirigir nas marginais”, indicando indiretamente que a maioria dos acidentes e vítimas envolve motociclista, quando entre as vítimas fatais está um agente experiente – 25 anos de carreira – da CET, morto depois de ter se envolvido num acidente de carro no acesso à via Dutra, na Marginal Tietê.


A falta de percepção de que a cidade está aquém de sua grandeza por parte da administração Dória não fica apenas no campo da velocidade nas marginais. Vai além. Passa por eleições desastrosas no Conselho Participativo da Cidade e chega ao fosso de desigualdade entre os distritos da cidade. 


Mecanismo democrático em que todo paulistano pode lançar sua candidatura ou participar do processo de votação, as eleições para o Conselho Participativo agitou negativamente o domingo (03) devido à desorganização na divulgação, que deixou participantes sem saber quais seriam suas respectivas seções de votação. De acordo com a organização Rede Nossa SP, havia locais que não ofereciam acessibilidade. O confuso domingo (03) – e questionado, porque há suspeitas de boicote para enfraquecer o Conselho - definiu os membros para o mandato que inicia em janeiro próximo. Estamos de olho, prefeito.


A mesma Rede Nossa SP aproveitou a semana para lançar novos indicadores, bem mais específicos, para o Mapa da Desigualdade da Primeira Infância. O estudo, inédito, mostrou que São Paulo “não é uma cidade acolhedora para as crianças”, afetadas por problemas estruturais, todos analisados com base em 28 indicadores, sendo alguns deles habitação, leitos hospitalares na região, acesso ao saneamento básico e a rede de ensino pública, que alimentam o Mapa de Desigualdade, também da Rede Nossa SP. 


Imagem: Reprodução / "Relação dos 26 distritos que aparecem mais vezes entre os 30 piores" da Rede Nossa SP;
Clique aqui para a íntegra do Mapa de Desigualdade da Primeira Infância

O levantamento mostra que 4 em cada 10 crianças, de até 6 anos, vivem nos piores distritos da cidade, sendo Grajaú, na Zona Sul, e Vila Nova Cachoerinha, na Zona Norte, os líderes do ranking da Rede Nossa SP. O estudo ainda apontou que 26 distritos, entre os 96 avaliados, aparecem mais vezes entre os 30 piores com base nos indicadores. A Rede Nossa SP encontrou uma cidade que parecia – e parece – não ter administração, e isso não é de agora. O estudo mostrou situações, comparativos do tipo: uma criança residente no bairro de Vila Brasilândia, na Zona Norte, espera 41 dias, em média, para uma consulta com um pediatra, enquanto em Moema, Zona Oeste, a demora é de dois dias. 


Após a divulgação do estudo inédito da Rede Nossa SP, a administração Dória reforçou que está elaborando políticas públicas para a primeira infância, como o recém-sancionado plano de diretrizes para a primeira infância, que antecedeu o projeto da farinata. A Prefeitura ainda correu para instalar, a partir do próximo ano, uma prefeitura regional no Grajaú, apontado pelo levantamento como o pior distrito da cidade para as crianças

 
Dória ainda aproveitou para, com de praxe, divulgar números que nem mesmo suas secretarias têm conhecimento. Mais uma vez, assim como fez 37ª Semana, o prefeito usou de suas redes para dar publicidades a números questionáveis na criação de vagas pelas creches da cidade. Numa publicação em que traça comparativo com os prefeitos que o precederam, Dória diz que sua administração criou 18 mil vagas até o momento, e que ele fez a maior investida da Prefeitura nos últimos três mandatos. 


Mais uma vez, Dória inventou um número que supostamente seria o de vagas criadas pelo ex-prefeito Fernando Haddad em seu primeiro ano de mandato, em 2013. De acordo com Dória, tomado pela bestialidade, Haddad teria criado o número pífio de “365” vagas, enquanto José Serra, prefeito entre 2004 e 2006, teria criado 4983 em seu primeiro ano e Kassab, prefeito entre 2008 e 2012, teria criado outras 13.225 vagas em seu primeiro ano de administração. Como mostramos na 37ª Semana, a secretaria municipal de educação apresenta números bem diferentes dos divulgados pelo prefeito.  Dória mantém o vício em publicar informações que não são bem claras e que não são fáceis – quando não são inverdades – de conferir. 


Na mesma terça-feira (05) da divulgação de mais um estudo apontado a visível desigualdade pelos bairros da cidade, o instituto Datafolha veio com baldes de “água fria” – e não se trata daquele “desafio” – que bagunçaram não o cabelo com gel do prefeito, mas suas pretensões políticas, já que ele resiste em ficar no Matarazzo em 2019.


A pesquisa mostrou que o prefeito está em baixa com os paulistanos. De acordo com o Datafolha, Dória amargou mais uma queda em sua avaliação, chegando a 29% de “ótimo/bom” e 39% de desaprovação, o mesmo patamar do ex-prefeito Fernando Haddad em seu primeiro ano, em 2013. Em outubro - última pesquisa do instituto antes da divulgada nesta semana -, o prefeito acumulava 40% de boa avaliação contra 26% de reprovação entre os entrevistados.  O prefeito, como de praxe, invocou Haddad e voltou a colocar a culpa no suposto, e inexplicável, rombo de 7,5 bilhões de reais, segundo ele, “deixados pelo ex-prefeito petista”. 


Doria, que almeja ocupar o Palácio dos Bandeirantes em 2019, mostrou esta semana que realmente não sabe lidar com críticas. Em baixa na pesquisa de avaliação, o prefeito sofreu outra baixa, desta vez, na Câmara dos Vereadores, com a saída do PRB da base de governo. A turma de quatro vereadores do partido que alguns garantem – e nós sabemos que é verdade – pertencer à Igreja Universal do Reino de Deus, abandonou o barco de Dória após as exonerações da semana passada, quando o prefeito demitiu comissionados aliados do vereador Souza Santos (PRB), visto pelo vice-prefeito e, agora, interlocutor do governo com a Câmara, Bruno Covas, como o mais resistente ao pacote de desestatização de Dória. Souza e seu partido, o PRB, dominam o serviço funerário da cidade há tempos e entre os pontos do projeto de desestatização estão os cemitérios que, caso aprovado pela câmara, serão concedidos à iniciativa privada. 
 
Imagem: Esquerda Diário

O prefeito ainda inaugurou o 11º CTA, Centro Temporário de Acolhimento, desta vez na Mooca, Zona Leste. Com capacidade para acolher 420 pessoas em situação de rua, o novo posto do CTA, na região da Mooca, é o maior de toda a rede de CTAs. O mesmo Dória idealizador de projetos inéditos e, por que não, bons como o CTA – lembrando que em campanha ele prometia os “Espaços Vida”, muito mais amplos, sem o “temporário” imperativo do nome –, é o mesmo que corta o transporte escolar, limita a merenda e a distribuição de leite pela rede municipal de ensino, tendo já reduzido e transformado o Passe Livre Estudantil em um Bilhete Único regulado. Pontos que abraçam o prefeito em uma espécie de carinho que só ele entende. Carinho cheio de contraditório.
 
Imagem: Esquerda Diário

Dória ainda mostrou, esta semana, que precisa de uma aula sobre aumentativo, tópico gramatical para termos com um grau elevado. Bem, com ineditismo, o prefeito inaugurou o que ele e sua equipe definiram como “minipiscinão” de Aricanduva, na Zona Leste. O “minipiscinão”, que por ser “mini” não pode ser “piscinão” e vice-versa, por enquanto, é a única obra entregue para evitar estragos maiores, e já conhecidos dos paulistanos, das chuvas de verão.


A semana ainda mostrou quão reativo é o prefeito. A divulgação de que Dória está em baixa na opinião dos paulistanos, Dória antecipou o 13º Salário e os vencimentos de dezembros para todos os servidores municipais (vídeo abaixo), e retomou uma mania que parecia ter deixado de lado: contra-atacar a imprensa através de suas redes sociais. O primeiro dos contra-ataques foi direcionado ao jornal Folha de S. Paulo pela o que ele considerou “insistência” do jornal em “tentar associar os acidentes fatais nas marginais à readequação das velocidades, sem evidências para sustentar o que é apenas uma tese do jornal”.   
 Vídeo: Reprodução / Canal "João Doria News" no Youtube 


No encerramento desta que é quase a 50ª semana de Dória à frente da Prefeitura, o prefeito resolveu atacar todos os veículos de imprensa que divulgaram a definição – só na cabeça de quem não conhece a cidade, ou seja, de Dória – de que o bairro do Tatuapé, nas “portas” da Zona Leste, é “periferia”.  Na quarta (06), numa visita, daquelas surpresas, ao hospital municipal do Tatuapé (vídeo abaixo), Dória chama a região que tem preço médio do m² em cerca de 7.200 reais, de “região periférica”. Como diria meu editor-chefe, “levarei ele para conhecer Guaianases, periferia de verdade”.

 Vídeo: Reprodução / Canal "João Doria News" no Youtube 

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 Vídeo: Reprodução / Canal "Cine Favela" no Youtube


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Claudio Porto

Jornalista com predileção à análise política nacional e internacional, e em jornalismo local, comunitário.

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1 comments so far,Add yours

  1. É verdade meu amigo Claudio, eu quero ver o que Dória acha do Camargo Novo, Fanganiello, Vila Iolanda, Juscelino/Inácio Monteiro/Prestes Maia. Locais onde A POEIRA SOBE, onde o poder público praticamente não chega. Se o Tatuapé de QUENTE NOITE e bom poder aquisitivo é "perifa", esses locais seriam o quê? Guetos?

    Como a sociedade paulistana conseguiu eleger um prefeito tão deslocado da realidade da cidade? E o pior, ele quer o estado e quis o país. Se não consegue cuidar nem do entorno da prefeitura, que não está nada lindo, que dirá deste continente.

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