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Especial Setembro Amarelo - Como parar a escalada da depressão e do suicídio?


O mês de Setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, de combate ao suicídio, campanha que começou em 2015 por iniciativa de entidades como o CVV, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, a campanha é realizada no mês onde temos no dia 10 o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. E a depressão é comprovadamente o principal fator que leva ao aumento alarmante das estatísticas de suicídio ao redor do mundo. Segundo dados obtidos no último mês de Abril pela BBC Brasil e que fazem parte do mapa da violência no Brasil, a taxa de suicídio entre os jovens cresceu mais de 10% nos últimos 15 anos. No conjunto da população os números são ainda mais assustadores, se consideramos o período entre 1980 e hoje, o crescimento da taxa de suicídios entre todas as faixas etárias foi de 60%.


Para falar sobre o tema, conversamos com a Psicoterapeuta especialista em Terapia Comportamental Cognitiva, Saúde Mental e Atenção Psicossocial Dra.Karina Mueller (CRP:12/03130), que atua há 15 anos na área.



Jovens Cronistas: Estamos no mês de Prevenção ao Suicídio e sabemos que a Depressão é o grande fator que leva ao suicídio. Como identificar os primeiros sinais da depressão?

Karina Müller: A depressão é uma das doenças dos Transtornos de Humor de acordo com a classificação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). A depressão é chamada de Transtorno Depressivo Maior e é dividida em episódios. Pode estar ou não associada a uma mudança brusca na vida. Os sintomas iniciam com mudanças de humor, irritabilidade, choro intenso, desânimo, isolamento da família e do grupo social, prejuízo no desempenho acadêmico e de trabalho, mudanças no sono e apetite. No entanto, o diagnóstico deve ser criterioso pela alta probabilidade de diagnósticos “falso positivo”. Muitas pessoas são diagnosticadas ou se auto diagnosticam com depressão, mas podem estar passando por um processo vivencial ou apresentam um outro quadro psiquiátrico e psíquico com sintomas parecidos.


JC: Como ajudar alguém que é depressivo? E nota-se que algumas atitudes erradas podem agravar o problema. Quais são elas e como as evitar?

KM: Se for um familiar ou amigo, é importante não se afastar da pessoa. A pessoa em um episódio depressivo procura se isolar. Ficar atento as mudanças bruscas de humor e manter contato com a pessoa. Procurar auxílio profissional e ajudar a pessoa a manter o tratamento que, muitas vezes, pode ser abandonado pela gravidade do quadro. É necessário muita paciência! O tratamento é eficaz, porém é longo e as mudanças bruscas de humor podem gerar muitos conflitos. Por isso, muita paciência!

JC: Nota-se na sociedade um preconceito e um desconhecimento muito grandes em relação a depressão, chegando ao ponto de ainda se considerar a doença uma "frescura". Como vencer essa barreira?

KM: O preconceito acontece de forma geral para várias doenças mentais, não somente à depressão. Ao longo do tempo, com maior conhecimento e informações, as pessoas estão tendo um olhar diferenciado sobre os transtornos mentais. O preconceito vem lentamente diminuindo, mas ainda há muito a ser esclarecido.



JC: Você crê que existe também um sentido inverso disso? Uma espécie de "glamourização" da depressão? Se sim, como isso pode prejudicar quem realmente sofre deste mal?

KM: Acredito que não é uma “glamourização”, mas sim diagnósticos equivocados realizados pelos profissionais ou pela própria pessoa que se auto diagnostica. Para se ter uma ideia da complexidade de se diagnosticar o Transtorno Depressivo Maior (TDM) é necessário fazer um bom diagnóstico diferencial. Antes de diagnosticar o TDM o profissional deverá excluir a possibilidade do paciente estar apresentando uma série de outras condições, tais como Transtorno Bipolar, Transtorno do humor induzido por substâncias, transtorno distímico, transtorno esquizoafetivo, transtorno delirante ou psicótico e demência. É importante o profissional considerar o contexto de vida da pessoa. A perda de um emprego, um divórcio, a morte de alguém próximo poderá fazer com que a pessoa apresente vários sintomas, sem, no entanto, estar com um transtorno depressivo.


JC: O que você diria ao leitor que neste momento sofre de depressão?

KM: A depressão é tratável. Ao apresentar sintomas, é necessário a pessoa ou a família buscar um profissional qualificado, psicólogo ou psiquiatra, para uma avaliação e iniciar um tratamento adequado. O processo do tratamento é longo e é necessário ter perseverança e apoio das pessoas próximas, sejam familiares ou amigos.


JC: O que você diria aos amigos e à família de quem sofre de depressão?

KM: Muita paciência! A pessoa em processo depressivo irrita-se com facilidade, isola-se das pessoas, encontra-se muito desanimada. Tudo isso gera frustração nas pessoas de apoio, familiares e amigos. Além disso, ocorrem muitos conflitos. É necessário estar atento aos pensamentos de morte e idealizações suicidas, principalmente antes e após iniciar o tratamento medicamentoso. Algumas tentativas de suicídio acontecem logo após o início do tratamento medicamentoso, isso porque, com o medicamento a pessoa começa a reagir mais rapidamente e sair da letargia, ou seja, tem mais forças, então o plano de morte que antes estava só no pensamento passa a ser mais fácil de ser concretizado.


JC: Como uma família pode agir diante da dor de um suicídio?

KM: A família em luto precisa ser escutada e acolhida. A dor da perda é sempre grande. Deve ser respeitada diante de seu sofrimento e acompanhada por profissionais específicos.


JC: Você concorda que a questão do suicídio poderia ser discutida mais abertamente? Se sim, quais locais seriam os 'pontos-chave'?

KM: Sim. Falar sobre os tabus morte, suicídio e sofrimento mental ajudam a dar visibilidade ao que é difícil de encarar. A campanha Setembro Amarelo é uma iniciativa muito importante para ampliar os espaços de discussão sobre o suicídio. Escolas, espaços de saúde, redes sociais e mídias em geral são espaços muito ricos para debates e formações de opiniões.


JC: As redes sociais ocupam boa parte do nosso dia-a-dia. Você acredita que elas podem ser aliadas na luta contra a depressão? Você vê uma relação direta entre "curtidas" numa foto e autoestima (ou a falta dela)?

KM: Toda rede social deve ser utilizada de forma cuidadosa quando o objetivo é informar ou ser um formador de opinião. Na rede social as pessoas tem a liberdade de se expressar livremente, o que pode acarretar em opiniões contrárias e conflitantes. O debate em rede social deve ser muito bem mediado, o que na maioria das vezes não acontece. Acredito que as “curtidas”, a auto exposição da vida nas redes sociais, a invasão de “privacidade”, o limite do espaço da pessoa e o espaço do outro, a liberdade e a coragem para expor opiniões através das redes sociais são agravantes do sofrimento psíquico.


JC: Como profissional, você sente que seriam necessários mais investimentos públicos na área da saúde mental?

KM: Sim. Ainda é necessário ampliar toda rede de Atenção Básica em saúde. Essa ação resultaria na possibilidade de profissionais com mais qualificação e tempo para realizar um bom acolhimento com escuta qualificada. Ainda há a necessidade da ampliação e do fortalecimento de toda rede de saúde mental nos municípios com um fluxograma amplo e consistente que interligue a Atenção Básica, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Hospitais.



Agradecemos muito a participação da Karina e convidamos a todos vocês, leitores do Jovens Cronistas, a refletir e debater sobre esse tema tão importante nos dias atuais. Afinal, o setembro amarelo existe pra isso, para que o preconceito seja deixado de lado e nós possamos abrir os olhos, enxergando um problema que há muito tempo já está em nossa frente.

Para nós, a depressão é algo muito sério, além claro de como bem colocou a doutora, buscar um acompanhamento com um psicoterapeuta, em casos de depressão a pessoa precisa se desfocar do problema, tentar sempre se apoiar e fazer coisas das quais gosta, há quem goste de escrever, há para quem a música, a prática de esportes, os games, enfim, sejam uma terapia, há aqueles nos quais tudo isso pode ajudar, enfim. Atividades que façam desconectar um pouco dos problemas, da angustia. Além claro do apoio familiar, ás vezes acreditamos que ninguém nos ama, que não faremos diferença no mundo, ao contrário, sempre haverá quem nos ame, sempre haverá aqueles para quem não apenas façamos, mas efetivamente somos a diferença. E se precisar de apoio e não tiver ninguém por perto, falar é a solução, o 141 do CVV está sempre á disposição. O "Setembro Amarelo" encerra-se hoje, mas todo dia é dia de apoiar quem sofre de depressão e com isso, prevenir e fazer com que os números de suicídios sejam minimizados.



Deixe seu elogio,/crítica e sua opinião nos comentários. Forte abraço e até a próxima!




Por: Ricardo Machado e Adriano Garcia. 




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