Dia 20 de novembro, data em que rememoramos Zumbi dos Palmares e a discussão sobre o papel do negro na sociedade. Leia um artigo à respeito!

A semana em que se “comemorou” 127 anos da intervenção de Marechal Deodoro da Fonseca e consequentemente o fim da monarquia brasileira, a Proclamação da República, viu-se na política nacional a habitualidade desse ano. Certamente 2016 tem sido um ano atípico para os “representantes do povo”, principalmente para aqueles que estão sob a rápida limpeza da Lava Jato. A investigação que se iniciou em março de 2014, quando a Justiça Federal em Curitiba, descobriu a ligação de doleiros, administradores e políticos em esquemas de lavagem e desvios de dinheiro, de longe é a maior e mais longa operação da Policia Federal no combate a corrupção. Foram mais de cem mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e temporárias, e conduções coercitivas. No atual cenário da política nacional, ela é quem está causando certa insônia em Brasília. 
Juiz Sérgio Moro; Foto: IMPRENSA VIVA




Foto: VEJA

Sergio Fernando Moro e Teori Zavascki são os nomes responsáveis pela investigação coordenada pela Policia Federal, Ministério Público da União, Justiça Federal do Paraná e o Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, juiz federal paranaense de 44 anos, tem sido aclamado pela população por ter, entre outras ações, colocado atrás das grades alguns dos grandes articuladores políticos dos governos Lula e Dilma, além de políticos do primeiro escalão do atual governo Temer. O segundo, ministro do STF, assim como os procuradores e promotores do Ministério Público não são tão venerados pela população, porém juntos, formam o que alguns chamam de “circo midiático” e outros consideram como inicio da “faxina” da corrupção. É fato que ela tem dado força para as outras investigações da PF e que Moro tem estimulado os seus colegas juízes a cumprirem o papel do judiciário, que é julgar sem deixar que qualquer tipo de interferência – principalmente política – venha atrapalhar. Moro e a Lava Jato, mesmo que sob fortes criticas de partidarismo, pois há investigações sobre políticos de quase todos os partidos e até esse momento as ações estão concentradas em apenas alguns - o que tem dado ar de seletividade a operação - fazem parte de um inédito momento do poder Judiciário, uma onda justiceira que, ainda bem discreta, tem alentado os brasileiros. Mesmo sendo válidas, as criticas não podem tirar desses “novos presos” – até pouco tempo só pobres eram vistos transcendendo os muros de presídios - os crimes cometidos, não há injustiça, só estão sendo levados aqueles que realmente fizeram parte dessa farra na maquina pública. 


Foto: REPRODUÇÃO
Na ultima quinta-feira (17), o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, foi preso incriminado por ser chefe de um esquema de desvios e propina envolvendo dinheiro federal destinado para a construção de melhorias na cidade do Rio de Janeiro.  Cabral, de acordo com os investigadores, recebia “mesadas” de empreiteiras e construtoras para facilitar que elas ganhassem as licitações e assim tocassem as obras superfaturadas. O ex-governador foi pego pela operação “Calicute” – nome das fortes ondas enfrentadas por Pedro Álvares Cabral antes chegar ao Brasil -, movida pela Lava Jato do Rio e do Paraná. Nesse momento, Cabral se encontra no complexo penitenciário de Bangu 8, local que ele mesmo inaugurou enquanto governador do estado.Cabral protagonizando o momento áureo de Odorico Paraguaçu.  





Foto: FOLHA DA MANHÃ
Além de Cabral, o Rio de Janeiro teve, também nessa semana, a prisão de outro ex-governador, Anthony Garotinho, que foi pego por "traquinar" em Campos dos Goytacazes, no interior do RJ, onde sua esposa, Rosinha Garotinho, é prefeita. De acordo com investigações do Ministério Publico Eleitoral carioca, o levado garoto fluminense de nome Anthony seria o líder de um esquema de compra de votos na cidade. Ele, enquanto secretário de governo de Rosinha, teria inflacionado o número de cadastrados em um programa social para garantir que candidato apoiado por ele, Dr. Chicão (PR), ganhasse o pleito desse ano. Garotinho passou mal no momento de sua prisão e teve que ser levado para um hospital público, onde em meio a berros e esperneio protagonizou uma das cenas mais cômicas da semana, quando estava prestes a ser transferido para Bangu. Todos sabem que após o “showzinho”, toda mãe cede e faz o que o filho marrento quer ou pede, não é? Pois bem, foi isso que aconteceu, Anthony após toda a sua dramaturgia, conseguiu que a Justiça voltasse atrás e permitisse a sua transferência para um hospital particular, e como um doce que é dado a uma criança em forma de agrado, Garotinho ainda poderá ficar em casa até que seu processo seja julgado. 


 
Anthony Garotinho sendo transferido do hospital para o presidio; Foto: O GLOBO


NOTA: Dr. Chicão (PR) perdeu a eleição para Rafael Diniz, do PPS.
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Claudio Porto

Jornalista com predileção à análise política nacional e internacional, e em jornalismo local, comunitário.

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1 comments so far,Add yours

  1. Veja Claudio, ninguém em sã consciência e sem PARTIDARISMO é contra a "Lava Jato", isso está fora de discussão, o que, como tu bem colocou, não faz dos movimentos de Moro imunes á críticas, como outros partidários (dentre eles, muitos LUNÁTICOS) querem. A MINHA crítica em relação à Moro é justamente essa, a "espetacularização" de suas ações e a "seletividade" com que tem atuado, prendeu Cunha aos 49 do segundo tempo e passando a impressão de que fez isso apenas pra "limpar a barra", o PSDB é praticamente imune á Lava Jato e o pior, MORO JÁ FOI VISTO EM VÁRIOS EVENTOS DO PSDB, inclusive demosntrando apoio á dupla Alckmin e Dória, cujo primeiro tem várias polêmicas sobre seus ombros, como as questões do Metrô/CPTM e da Merenda, por exemplo. A atuação do judiciário deve ser totalmente APARTIDÁRIA e lamentavelmente não é isso que se tem visto, minha crítica é essa.

    Em relação as prisões de Cabral e Garotinho, considero os dois como figuras nefastas e acho que ninguém pleiteou que "não fossem presos". A questão (e aí acho que nem é o Moro em si o "problema") foi a FORMA como essas prisões se deram. O marido da Rosa não deu "chilique", nem "escãndalo", as imagens são claras, ele não foi tratado como deve ser um doente, ele foi praticamente arremessado de um lado pra outro. Esse não é um tratamento humano e o cara não estava de "fingimento", afinal, ninguém "finge" ter de passar por uma angioplastia, e tenho certeza que nós não gostaríamos que ocorresse conosco, nem com qualquer pessoa do nosso convívio, por que vamos querer isso a nossos inimigos? Também desnecessário cortar o cabelo do outro ladrão, isso remete á Ditadura e "dá elementos" para a acusação de arbitrariedade, nesses casos, creio que a PF meteu os pés pelas mãos.

    Reitero, parabéns pelas prisões e que continuem, mas seria interessante que ocorressem sem os espetaculos de horror que vimos.

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