Caros amigos, por motivos de força maior, Ricardo Machado, o autor dos posts sobre a estrelada competição, não pôde realizar sua sagrada função.

Por isso, estou de volta para a analisar as partidas de ida das quartas de final da Champions League.

Atlético de Madrid 0 x 0 Real Madrid

O clássico não saiu do zero, na noite de terça em Madrid. O culpado tem nome e sobrenome: Jan Oblak. O esloveno, de 1,86 m e 22 anos, custou 16 milhões ao cofres colchoneros - oitavo goleiro mais caro da história -, mas o investimento valeu a pena. Se o Atleti tem chances de avançar a semifinal, pela segunda vez consecutiva, deve muito ao camisa 13.

Logo aos 3 minutos, após falha terrível de Godín, Bale arrancou e bateu na saída de Oblak, que esticou os braços para salvar a pátria.

Carlo Ancelotti levou a campo o seu 4-3-3 mais técnico. E dominou as ações na primeira etapa, com mais de 60% da posse de bola. O 4-4-2 clássico de Diego Simeone sofreu tanto para defender como para contra-atacar, já que o time não tinha profundidade pelas laterais.

O arqueiro madrilenho voltaria a aparecer aos 30, novamente em chute de Bale de fora da área.

Aos 36, na defesa de maior dificuldade, no chute de trivela de James Rodriguez. A bola foi no cantinho esquerdo.

E aos 43, de novo com o colombiano, em contra-ataque armado por Varane.

Ao todo, foram 6 seis defesas consideradas difíceis protagonizadas por Oblak, apenas nos 45 minutos iniciais.

Na etapa complementar, a partida ganhou traços de clássico efetivamente. Pouco espaço, marcação forte, divididas ríspidas. E bastante falatório.

A imagem que correu o mundo foi a face ensanguentada de Mario Mandzukic, após doce cotovelada de Sergio Ramos em seu supercílio. De fato, os dois são meio malucos(será?).

Casillas apareceu, já nos acréscimos, para defender chute mascado de Suárez no canto esquerdo. Mais na base da bola alçada na área do que propriamente de forma organizada.


Com muito coração e pouca coragem, o Atleti segue vivo, sobretudo porque tem qualquer empate com gols para se classificar na casa do adversário. 

O Real, por sua vez, terá o Santiago Bernabéu como arma para continuar defendendo o título da temporada passada.

Destaques: Nos últimos três jogos no Santiago Bernabéu, o Atlético fez pelo menos um gol.

Todas as vezes que empatou sem gols na ida, os colchoneros avançaram na Champions League.

Juventus 1 x 0 Monaco

Com emoção, a Juventus venceu o Monaco, na lotada Arena de Turin. Como era esperado, não foi fácil transpor a defesa mais italiana fora da Itália (sem contar os times de José Mourinho e Roberto Di Matteo evidentemente).

Massimiliano Allegri montou a Vecchia Signora no 4-3-1-2. A ausência de Pogba, que flutua por todas as posições do campo mesmo sendo escalado como trequartista (o organizador da equipe), foi sentida. Ainda que Pereyra, meia ex-Udinese, tenha feito boa partida.

No 4-1-4-1, os monegascos marcaram forte à frente da área e saíram rápido para os contra-ataques. A novidade do treinador Leonardo Jardim foi o posicionamento de Fabinho. Convocado por Dunga para ser lateral-direito, sua função de origem, o brasileiro jogou como primeiro volante e fez boa cobertura dos zagueiros Ricardo Carvalho e Abdennour.

Gianluigi Buffon, com seus 37 anos, foi figura importante durante a partida, em dois lances especialmente. Aos 9 minutos do primeiro tempo, quando Ferreira-Carrasco chutou quase cara a cara. E aos 8 do segundo, em chute frontal de Bernardo, após contra-ataque veloz armado pelos franceses.

Os bianconeri precisaram de um pênalti discutível para vencer. 

Lançamento da defesa, Ricardo Carvalho tropeçou e, na minha opinião, derrubou Morata, que valorizou ao ir para a grama. 

A discussão não está no local da infração, mas na falta. 

O juiz marcou a penalidade máxima, embora o encontro dos jogadores tenha sido fora.

Enfim, Arturo Vidal bateu bonito e deslocou Subasic para tirar a Juve do sufoco. Com essa bola na rede, o camisa 23 se tornou o maior artilheiro chileno na história da Champions League, com 9 gols. 


O organizado time do Principado não foi capaz de reagir ao golpe, mesmo com a entrada de Berbatov, no comando do ataque.

Os italianos mostraram pouco futebol. Foi suficiente para vencer em Turin, talvez não seja para avançar em Monaco. 

PSG 1 x 3 Barcelona

Um trio excepcional como este do Barça pode desequilibrar qualquer confronto. Principalmente, quando o oponente parece entregue, sem ao menos lutar.


As formações táticas foram espelhadas: o 4-3-3. Os catalães dominaram a posse de bola, no campo adversário, explorando o lado esquerdo da defesa parisiense. Porque daquele lado estava Van Der Wiel, um apoiador importante, com deficiências na marcação.

Aos 13 minutos, após cruzamento de Suárez, justamente naquele setor, Messi acertou a trave de Sirigu.

O time da Cidade-Luz não se encontrou durante a peleja. O fato de Thiago Motta, de Verratti e de Ibrahimovic não estarem à disposição pesou, porém as reposições de Laurent Blanc também não surtiram efeito.


Aos 18 minutos, em espaço deixado por Thiago Silva - que saiu lesionado -, Messi lançou Neymar, que deu um tapa na bola e correu para a alegria (como dizia Luiz Alfredo). 

1 a 0 Barça, com relativa tranquilidade. A linha defensiva da equipe estava no meio-campo, engolindo, portanto, qualquer possibilidade de contra-golpe.

Àquela altura, o Paris Saint-Germain inexistia nas saídas para o campo ofensivo, com mínimos 36% de posse de bola.

Cabaye Rabiot não marcaram tampouco criaram na meia. Os únicos jogadores lúcidos eram Matuidi e Cavani. David Luiz foi para o sacrifício, na vaga do capitão do Paris, pois Blanc não quis utilizar o, também zagueiro, Zoumana Camara. Essa decisão seria caótica, momento depois.

Com controle da situação, os blaugranas escolheram a forma para definir a partida, quiçá o confronto: velocidade com Suárez. O uruguaio, até então discreto, recebeu pela direita, aos 21 minutos da etapa complementar, deixou David Luiz para trás - com uma caneta - Marquinhos também, protegeu de Maxwell e tocou na saída de Sirigu, em seu canto esquerdo.

Aos 33, o atacante voltou a aparecer, tabelando com Xavi. Depois deixou o camisa 32, visivelmente sem tempo de bola, na saudade, e bateu no ângulo esquerdo para fazer o terceiro.

Três minutos adiante, Wiel chutou da entrada da área e, contando com infelicidade de Mathieu, diminuiu o prejuízo do Paris Saint-Germain.

Se quiser avançar, o PSG precisa do espírito competitivo visto contra o Chelsea. Necessita de seu craque Ibrahimovic, de preferência sedento por vingança, por voltar pela terceira vez - salvo engano - ao Camp Nou. Implora por um dia perfeito na casa catalã.

Porto 3 x 1 Bayern de Munique

O placar mais surpreendente, sem dúvidas. Com boa atuação de seus atacantes, os portistas contaram com falhas incríveis da defesa do Bayern para vencer por 3 a 1.

Com início meteórico, o Estádio do Dragão quase veio abaixo. 

Na primeira volta do ponteiro, Xabi Alonso cochilou, Jackson Martínez roubou a bola e, ao tentar driblar, foi derrubado Neuer, que foi advertido com o cartão amarelo. 

Quaresma, o malabarista da bola, bateu cruzado e movimentou o placar, para alegria dos torcedores. 

O Porto jogou no 4-3-3, com cinco brasileiros, e marcou pressão no começo.
Diferente do Bayern, que atuou no 4-1-4-1, mas demorou a se postar em campo.

Os Bávaros, antes de assimilarem o gol sofrido, levaram o 2 a 0. Dante - estabanado como de costume - entregou a bola nos pés de Quaresma. O português arrancou e, com desdém, tocou de trivela no contrapé de Neuer, completamente vermelho, mas de vergonha desses 10 minutos iniciais. 

A troca de passes alemã demorou 28 minutos para dar resultado. Boateng partiu pela direita e cruzou para a chegada livre de Thiago Alcântara, em frente ao gol. Bola na rede.

Na segunda etapa, com o domínio territorial corriqueiro do Bayern, o Porto matou o jogo. Lançamento de Alex Sandro, Boateng errou o tempo de bola. Jackson Martínez dominou, driblou Neuer e tocou para o gol aberto, aos 19.

Partida de gala dos portistas.

O resultado, logicamente, foi bom. Contudo, o gol sofrido deixa a situação portuguesa sob riscos na partida de volta. As ausências dos dois laterais brasileiros Danilo e Alex Sandro, por acúmulo de cartões, são problemáticas para Julen Lopetegui. Sobretudo o camisa 2, que era o capitão, enquanto Helton e Martínez estavam de fora.

Mesmo com desfalques do calibre de Schweinsteiger, Ribery e Robben, o Bayern não pode se dar ao luxo de errar tantas vezes em sua defesa. Algo que certamente custará caro à equipe, caso os titulares não voltem na terça-feira.


*Imagens: Mundo Deportivo

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