Olá a todos e todas!

Estamos de volta para incomodar mais uma vez vocês com estas mal escritas linhas.



Desde o ano 2000, o Carnaval divide as atenções do público brasileiro com outro evento de forte apelo midiático: o Big Brother Brasil ou, simplesmente, BBB. O reinado de Momo praticamente não ocorreu, muito devido à pandemia da Covid-19.

O reality show, por sua vez, segue a pleno e esta edição, talvez muito por causa da pandemia que faz com que as pessoas fiquem mais tempo em casa, parece estar chamando mais a atenção da população. Alguns diriam que é uma cortina de fumaça para os verdadeiros problemas da sociedade brasileira, no que concordo, porém tem aspectos desta edição que merecem uma reflexão.

O ambiente dos reality shows no estilo BBB permite o surgimento de verdadeiras torcidas que, muitas vezes, parecem não medir esforços no sentido de excluir este ou aquele candidato. No mais recente "Paredão", o humorista gaúcho Nego Di foi eliminado com históricos 98,76% dos votos.

O humorista criou um grupo com outros três participantes que se organizava e planejava votos. Enfim, jogava o jogo. O que fica claro é que as atitudes de todos lá dentro restringem-se, em maior ou menor intensidade, ao jogo, ou seja, o que acontece na casa, fica na casa, parafraseando o filme "A espera de um milagre". O Big Brother parece dividido em micro novelas de sete dias que culminam com a eliminação de um dos participantes. No dia seguinte, tem início um novo capítulo da saga.

Um programa como este pode estimular experiências fascistas, tanto dentro quanto fora do confinamento como quando Lucas Penteado só pôde fazer sua refeição depois de todos os demais participantes e por ordem de Karol Conká. A submissão de Lucas à exigência da rapper curitibana somada a anuência dos demais concebeu a moldura a uma das imagens mais tristes desta edição: a segregação como regra.

O fascismo cresce muitas vezes na ausência de reação daqueles que poderiam ser seus potenciais adversários. Quando se vê, o ovo da serpente chocou e daí...muitas vezes já é tarde. Inúmeras atitudes fascistas tomadas no ambiente do BBB muitas vezes repercutem com força aqui fora. No mais recente Paredão, como já comentei, o humorista Nego Di foi eliminado com um índice inédito de 98,76%.

O maior problema nem foi o índice histórico de rejeição, mas a reação que as tais torcidas do BBB tomam aqui fora. Quando chega-se ao nível de ameaça à familiares do participante é porque perdeu-se o controle sobre as consequências do jogo. É inaceitável que não se perceba que algo de muito grave pode ocorrer logo ali na próxima esquina bastando, para isso, que não atentemos para os sinais que são emitidos. Pode-se perder o controle quando, por exemplo, alguém com milhares de seguidores nas redes sociais faz um um vídeo conclamando a expulsão de determinado membro. A sugestão inicial é de simplesmente votar pela eliminação, porém não se imagina como cada seguidor irá receber aquela mensagem.

Na política brasileira o capítulo mais recente - outra cortina de fumaça no ambiente pandêmico, diriam alguns - diz respeito à prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL/RJ). Depois de publicar vídeos em que criticava fortemente os ministros do STF e defendia a volta do AI-5, o deputado teve sua prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. É importante que se diga que o mesmo STF foi alvo de sucessivas agressões de uns tempos pra cá, ou alguém esqueceu dos fogos de artifícios jogados sobre o prédio do Tribunal pelos 300, que era na verdade uns 30 ou 40? E a personagem Sara Giromini que, usando nome falso, fez também vídeos com ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, que dias depois permitiu que esta ficasse em prisão domiciliar desde que usando tornozeleira eletrônica. Será que os ministros do Supremo Tribunal ainda não se deram conta da real ameaça que está sobre nossas cabeças?

Se bem que esta reação do STF até foi rápida, pois, na média, levam três anos para dar uma resposta além de notas de repúdio, vide o caso do tweet do general.

A pouco foi mantida a prisão do deputado por duas votações que, pelos resultados, não deixam dúvidas: entre os ministros do STF acachapantes 11x0 pela prisão do deputado do PSL/RJ e na Câmara dos Deputados, 364 x 130 contra os interesses de Daniel Silveira  que, desta forma,. permanecerá no confinamento do xilindró.

Algumas perguntas que ficam de tudo isso:

1)Por que os policiais que foram prender o deputado bolsonarista permitiram que ele ainda fizesse um vídeo, enquanto esperavam na sala?

2)Por que o STF demora tanto a reagir aos ataques que sofre frequentemente?

3) A fala do 02 sobre fechar o STF "com um jipe, um cabo e um soldado" até hoje não teve nem nota de repúdio. Se bem, será que já fez três anos?

4) Qual o conteúdo dos celulares encontrados na cela do deputado bolsonarista Daniel Silveira na sede da PF do Rio de Janeiro?

É isso meus amigos e amigas.

Cuidem-se!
Fiquem em casa!
Lutemos pela vacina para Todos e Todas!

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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