Olá leitoras e leitores! Tudo certo por aí? Por aqui, vai-se indo...


Apesar deste espaço entender-se como algo dinâmico e amplo, daí o nome "Sobre Tudo", atualmente termos nos tornado, até certo ponto, monotemáticos. Já vai de algum tempo que neste espaço discutimos aspectos ligados ao governo federal. Na semana passada discutimos um tema muito caro para sociedade de um modo global: o Racismo estrutural. Leia aqui se ficou interessado(a/e).

Esta semana tivemos um quadro da pandemia da Covid19 que nos apresentou duas movimentações inéditas. Antes é importante que se faça um apanhado cronológico das ações do Ministério da Saúde para que se entenda a gravidade da atitude tomada pelo governo Bolsonaro. Durante a gestão do ministro Mandetta a prática era de coletivas diárias às 17 horas, divulgação dos dados das últimas 24 horas e uma transparência inédita em se tratando deste governo. A agudização de um enfrentamento de falas/ações do presidente e seu ministro foi esticando a corda até provocar a queda do titular da pasta da saúde. Neste momento, o ministério mais importante em se tratando de uma pandemia, ficava acéfalo de maneira inacreditável.

Enquanto isso, o espectro da Cloroquina rondava o país.

Poucos dias depois assumia o novo ministro: Nelson Teich. Alguém lembra dele? Não sei vocês, mas desde a sua posse, eu tive a nítida impressão de que aquela seria uma passagem meteórica. Dito e feito. Tendo como principal momento, a participação na famosa reunião ministerial do dia 22 de abril, Teich não resistiu a negacionismo de Bolsonaro e assim ficamos sem ministro da saúde pela segunda vez durante a mais grave pandemia do último século.

Com a saída de Teich, começou-se uma alteração mais aguda na estrutura da equipe do ministério. Além da troca do titular da pasta, operou-se um desmanche na equipe técnica que deva embasamento ao ministro fornecendo-lhe dados para as coletivas. Gabbardo foi para o governo Dória (PSDB/SP), mais recentemente Wanderson de Oliveira pediu exoneração do cargo que ocupava no Ministério. Enquanto isso, o que se verificou foi a nomeação de muitos militares, inclusive o interino, sem nenhuma prática na área da saúde. Portanto, pode-se dizer que o ministério ficou acéfalo pela terceira vez, assim permanecendo até este momento.

E a cloroquina...bem, vocês sabem...segue aí no imaginário bolsonarista.

Apesar de todo esse quadro caótico os dados do dia seguiam sendo divulgados no final das tardes até que... até Bolsonaro decidir pela divulgação às 22 horas, sob o argumento que os dados estariam mais completos para depois deixar escapar a verdadeira intenção: "Agora acabou o JN!", ou seja, pretendia que não se informasse a população sobre os números diários da Covid19.

A resposta não poderia ter sido mais emblemática. Assim que saíram os números, a Globo lançou mão daquilo que quando acontece, todo mundo para o que está fazendo para assistir: o Plantão Globo. Aquela vinheta com os microfones em órbita do símbolo da emissora é marcante. Com sua voz grave, William Bonner usou de todas as pausas possíveis para dar a maior ênfase que fosse possível e para deixar a marca definitiva fez a homenagem às famílias das vítimas da Covid19. Como que dizendo: sabem que não faz essa deferência, né?

Na manutenção da divulgação dos dados às 22 horas, formou-se um pool de emissoras ( Globo, G1, Estadão, Folha de São Paulo, Extra, Uol) para unirem esforços e divulgarem os dados até às 20h.
Neste momento, a gente percebe quem está ao lado da população e quem não está.

Assusta a forma como o governo Bolsonaro trata a saúde pública.  Somos o único país que não tem titular na pasta mais importante num momento como este. Acho que até a Coréia do Norte e o Turcomenistão tem Ministros da Saúde. Bolsonaro deu ao negacionismo uma outra definição, elevou  a um novo patamar transformando-lhe em política pública.

Uma sugestão de leitura: "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury. Por razões óbvias.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado
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Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.



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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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