Foto: Divulgação

Bolsonaro passa longe de ser burro, mas nada de braçada e prospera nas classes populares — apesar de encampar uma agenda econômica desfavorável às mesmas —  não porque é alguma espécie de gênio da política. Bolsonaro nada de braçada e prospera nas classes populares porque, diferentemente dos candidatos do campo popular, ele não defende mudanças no padrão de sociabilidade do brasileiro. Pelo contrário. Ele defende a radicalização e perpetuação de um padrão de sociabilidade que nada mais é do que herança direta do passado colonial e escravocrata deste país.

Discriminações e preconceitos contra minorias sociais, desprezo pelos excluídos e supervalorização do trabalho são traços conservadores de um padrão de sociabilidade de fácil constatação nas classes populares. Muito antes de Bolsonaro sonhar em ser um militar patético ou um político sanguessuga do baixo clero, já não era necessário mais do que meia volta pela Baixada Fluminense ou pelo subúrbio do Rio para escutar da boca do povo que gay tem que apanhar, que bandido bom é bandido morto e que desempregado é um vagabundo sem dignidade. O capitão bunda suja só teve o trabalho de, à revelia de todo e qualquer limite constitucional, repetir tudo isso aos quatro cantos, sem que as instituições o freassem, para obter uma estrondosa e avassaladora inserção nas massas. 

O mérito de Bolsonaro, em relação aos políticos da direita tradicional, é a total ausência de escrúpulos e a mínima capacidade de por em exibição na opinião pública, tornando visíveis e patentes, esses traços conservadores oriundos de um padrão de sociabilidade que nada mais é do que herança direta do passado colonial e escravocrata deste país. Nada além disso. 

Não inovou nem criou absolutamente nada, apenas teve a audácia e a manha que outros políticos conservadores não tiveram. E afinal, não é preciso lembrar que surfar em padrões de sociabilidade extremamente internalizados é muito mais fácil do que tentar mudá-los.




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Editorial JC

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