Olá companheiros, companheiras e companheires! Como vocês estão? Por aqui vai-se indo...

Faz algumas semanas que escrevo nessa coluna assuntos relacionados aos ambiente que se faz no mundo a partir da pandemia do CoronaVírus. Se você quiser ler a coluna anterior, clique aqui.
Evidente que não hoje poderia ser diferente e nesta última semana o que aconteceu de mais destaque foi o enfrentamento via manchetes, de um lado tuites/pronunciamentos do presidente; de outro, coletivas do ministro da saúde. Nem a oposição faria melhor.

Tudo isso começou com  as coletivas do ministro da saúde e sua equipe de trabalho e durante as duas primeiras semanas Mandetta fez vôo solo com um discurso eminentemente técnico e teve pra si para seus pares todos os holofotes. Em meio a terceira semana li na minha timeline do twitter (@prof_colorado) algo que chamou a minha atenção. Um comentário do tipo "o ministro Mandetta recebeu um puxão de orelha e deverá mudar seu discurso, politizar sua fala." A próxima coletiva do ministério eu não perderia por nada, só pensava naquele tuíte.

Bingo! Em sua coletiva, o ministro apresenta os números da pandemia no Brasil e lá pelas tantas diz: "O nosso líder, o nosso timoneiro na luta contra a Covid19 é o nosso presidente Jair Bolsonaro." Ao ouvir isso, pensei, lembrando do tuíte lido no dia anterior: "Enquadraram o Mandetta."

Depois daquele dia, muitas coletivas foram divididas em dois momentos: no começo os outros ministérios (Segurança e Justiça, Direitos Humanos e Economia) e na segunda metade o ministério da saúde com os números e estratégias de combate à pandemia.  No meio disso tudo, o presidente vinha a público para dizer que "a cloroquina cura!", "eu com o meu passado de atleta pegaria no máximo uma gripezinha ou um resfriadinho.", ou ainda, "Temos que voltar a trabalhar, a produzir."

Em seguida tornamos a ver a divisão das coletivas, dessa vez com o gigante - em minúsculo, sacou?- intelectual Ernesto Araújo e outros menos votados, seguidos de Mandetta e sua turma. O que se viu nas semanas seguintes e nessa foi uma aparente fritura em fogo alto do titular da pasta da saúde, em meio a uma pandemia, isso mesmo...em meio a uma pandemia.

Podemos ter inúmeras críticas ao político Mandetta -e eu as tenho e não são poucas- mas, num ministério formado por pessoas sem a menor capacidade intelectual - alguns eu citei neste texto- sendo a obra de quem é, ele é quase um Einstein. Quanto tempo faz que você não ouve/vê/lê um factóide vindo de um ministro ou de um dos filhos do presidente? Será que foi preciso uma pandemia para que esse pessoal fosse colocado em seu devido lugar?

Jênios* das redes sociais, verdadeiros atletas do mundo virtual - que ilustram muito bem a famosa citação do saudoso filósofo italiano Umberto Eco sobre as mesmas - como Weintraub, Eduardo Bolsonaro, Carluxo desapareceram em meio aos vírus. Referências intelectuais como Olavo de Carvalho sumiram do mapa, ninguém mais comenta suas opiniões. Porque isso aconteceu? Foi necessária a Covid19 , que houvesse o isolamento social e a consequente recuperação da natureza em inúmeras partes do Mundo? Em Veneza as águas das ruas estão recuperando sua cor natural.

Em meio ao cenário de pandemia e recuperação ambiental, seguiu-se a fritura de Mandetta e equipe, desta vez em fogo alto, chegando ao ponto de um de seus membros, o secretário de vigilância em saúde Wanderson de Oliveira anunciar a sua equipe que estava de saída com direito a uma carta de despedida. No fim da tarde de hoje, Mandetta foi à coletiva para dizer que não aceitava a demissão de seu secretário e que "Chegamos juntos, vamos trabalhar juntos e sairemos juntos!". Em outro momento, o titular da pasta vira para outro de seus escudeiros e pergunta: "Quantas vezes pediram a tua cabeça, Gabbardo?"Jogo de cena, lógico.
Logo a seguir, foi dado o panorama da Covid19 no Brasil. Isso tudo que aconteceu no dia de hoje pode ser sido um teatro da equipe de Mandetta? Sim, pode.

Alguns dizem que Bolsonaro estaria a procura de alguém para substituir o ministro da saúde, algo como buscar um treinador com o seu a beira do gramado, sabe? O que não podemos negar  é que esta semana foi muito bacana de acompanhar. Foi divertida até.
O que vai acontecer a seguir?  Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. E façam como eu, prestem mais atenção nas suas redes sociais, ali pode estar uma dica muito importante.


*Após a publicação deste texto, foi anunciada a nomeação de Nelson Teich para o lugar de Mandetta na Saúde.


Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

P.s.: *se justifica por ironia. Sacou?

twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.


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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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