Amigo torcedor do Peixe,

Meus pêsames se você assistiu à exibição deprimente do nosso amado time no jogo de hoje.

Apesar de jogarmos em casa, o Cruzeiro controlou as ações durante a maior parte do tempo. Enquanto Hudson esteve em campo, os mineiros mantiveram a bola e prenderam o Santos no campo de defesa. Com a lesão de Arrascaeta, o Cruzeiro deu a posse ao Santos e apostou no contra-ataque - o que, sinceramente, foi uma covardia. Não digo isso no sentido de "medroso", mas de "cruel". Contra-atacar uma zaga com Veríssimo e Braz é covardia pura, não tem outra forma de definir. Não deu outra. Na primeira, o santo Vanderlei conseguiu impedir Thiago Neves de marcar com (mais) uma saída genial. Mas na segunda, não teve jeito. Ábila escapou de Lucas Veríssimo, depois driblou o jovem zagueiro que, ao invés de cercar, deu um bote afobado, e cruzou para um Thiago Neves desmarcado fazer o gol da vitória. Toda essa jogada aconteceu literalmente AO REDOR de David Braz, que marcou... ninguém.

Ábila... Thiago Neves... quanta gente aqui na nossa área. Quando eles vão embora pra eu poder subir ao ataque?

Eu não gosto de ser estraga-festas como fiz no post passado (leia aqui), mas não é como se fosse muito difícil de cravar que um zagueiro que só marca na área adversária eventualmente seria um problema para o time. Infelizmente, não demorou nada para o óbvio acontecer. Claramente, o Cruzeiro não é o Sporting Cristal, e não estendeu o tapete vermelho (nem o azul) para nosso zagueiro-artilheiro-peneira aumentar suas estatísticas ofensivas. Como todo time treinado por Mano Menezes, a defesa do Cruzeiro se mostrou sólida, cedeu poucos escanteios e anulou o que hoje é nossa principal opção ofensiva. Sim, é triste dizer. Mas o Santos tem problemas maiores do que a presença de David Braz na zaga. E até ele sabe disso.

Ao fim da partida, o zagueiro falou uma verdade incômoda: "O Lucas Lima fez falta, mas não foi por causa disso que perdemos. Criamos, finalizamos, principalmente no primeiro tempo, mas eles estiveram bem defensivamente e aproveitaram a chance que tiveram no fim da partida". Obviamente ele exagerou um pouco, pois se já é errado criticar publicamente seus companheiros, seria ainda pior dizer que "nosso ataque foi estéril, rodamos a bola, criamos poucas oportunidades de gol, gastamos a bola improdutivamente e estivemos bisonhamente vulneráveis a contra-ataque. Como sempre".

Na imprensa inglesa, um time como o Santos é chamado de "toothless", como um animal selvagem sem dentes. Eu prefiro pensar em um time cego, como uma lâmina que não corta. O Santos tem muita dificuldade em penetrar defesas bem montadas ou fortes retrancas, como mostrado nos jogos contra Corinthians, Ituano, Ponte Preta, Jorge Wilstermann, e hoje, o Cruzeiro. É um destino cruel para uma torcida acostumada com esquadrões ofensivos e goleadores, e com um time acostumado a ser ofensivo e goleador até o ano passado. Contra o próprio Cruzeiro, ano passado, conseguimos parir uma vitória difícil no Mineirão graças a um gol achado pelo hoje desaparecido Ricardo Oliveira. Hoje não conseguimos ameaçá-los na nossa própria casa miseravelmente vazia.

Nosso ataque, hoje.

Assistir a um jogo do Santos, hoje, é como sentar em frente a um tanque de sardinhas e esperá-las crescer até virar um tubarão. É longo, é lento, é cansativo, é frustrante - uma espera eterna por algo que não vai acontecer.

Gostaria muito que o Peixe voltasse a ser um tubarão. Porque depender de David Braz na defesa é ruim. Mas no ataque é pior ainda...
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