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JC Agora

Editorial - Primeiro “niver” de Temer

Enquanto as Reformas seguem seu caminho levando tudo que está pela frente, inclusive Direitos, o presidente aparenta estar feliz e pronto para comemorar 1 ano no comando


Estar em sociedade é estar rodeado de seres vivos, alguns bilhões de humanos, conflitando incessantemente uns com os outros. Para especialistas, é dessa relação que se tem o desenvolvimento pessoal de cada um e os avanços, inclusive tecnológicos, da sociedade de modo geral. Estando em sociedade, se fazer notório, ser o protagonista é, para muitos, o objetivo e a única explicação para a existência da vida, já que estes se perguntam por qual outro motivo estaríamos vivos senão para buscarmos sermos os melhores e principais deste musical? Em boa parte das produções cinematográficas estadunidenses, personagens adolescentes, os teens, sonham com esse “ser popular” e, por vezes, terminam por suicidar-se. No Brasil, próximos de completar 1 ano de Michel Temer no comando, o nosso presidente parece não se importar tanto com a popularidade porque, convenhamos, ele pode até não ter muita  legitimidade, mas detém a governabilidade, a mesma ausente enquanto uma mulher comandava a Presidência da República.
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

Dono de uma desaprovação de 61% dos entrevistados na ultima pesquisa Datafolha, o presidente Temer completa na próxima sexta (12) seu primeiro ano à frente do comando do País. Após 1 ano, desde às 11:25 do dia 12 de maio do ano passado quando Temer foi notificado que teria que assumir o lugar da ex-presidente Dilma, ele enfrentou crises, muitas envolvendo seus ministros, construiu uma agenda antagônica a proposta por sua Chapa em 2014,e vem promovendo suas Reformas retrógradas  e ofensivas a maioria que, neste ultimo ano, foi marginalizada a minoria, como explicitam bem os inúmeros almoços e jantares com o setor empresarial e bancário.  Completa-se 1 ano de muitos discursos pró retomada de crescimento, de muitas pautas enviadas ao Legislativo, de indicadores visivelmente ruins e de muita publicidade. 
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

O País de Temer é o de 14,2 milhões de desempregados, sendo que esse número chegava próximo de 12 milhões quando assumiu; de aliciamento de parte da imprensa, aumento ostensivo nas verbas de publicidade em Rádio e TV; de mudanças no Ensino Médio onde, sem muita infraestrutura, estudantes são convocados a trocar o teórico pelo imediatismo do profissionalizante; de nítida afronta as Operações de combate à corrupção; de sucateamento integral da Máquina Pública, incluindo teto em verbas de investimentos baseados na inflação e a bizarra veiculação da informação de que os Correios estariam falindo enquanto o comércio pela internet cresce espantosamente, e o adendo, a cereja deste bolo, os muitos claros e límpidos, ataques aos Direitos de trabalhadores, aposentados e pensionistas propostas pelas Reformas enlameadas e nada debatidas. Eleito como vice, Temer é capaz de retroceder mais em um 1 ano, do que Dória ou Bolsonaro são capazes de proferirem ataques a Lula ou indígenas, negros e mulheres, respectivamente. É lamentável ver que subestimam um político com esse potencial. É lamentável.
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

Sem muita festa, o presidente mantém seu mantra de que em períodos de impopularidade o governante deve fazer o que considera correto, e vê, apenas ele, com bons olhos o mais 1 ano e 7 meses que terá pela frente. Com o acolhimento do pedido por mais tempo as defesas no processo que julga a Chapa Dilma-Temer, no TSE, único meio de haver um novo impeachment, deixa o presidente solto e tranquilo, sem ser incomodado, gesticulando, almoçando e jantando com os seus aliados. Do outro lado, alguns muitos e em crescente continuam com o seu também mantra de “Fora Temer”. 
 
Imagem: QUADRINSTA (@Quadrinsta no Instagram e no Twitter)

Tudo indica que ele irá comemora esse e o próximo ano no Planalto, e nós, simplórios brasileirinhos, devemos questionar mais. Talvez consigamos responder indagações antigas, entretanto, infelizmente, atemporais de Ney Matogrosso em A Cara do Brasil lançada em meio à virada do século


 Qual a cara da cara da nação? De quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas, ou quem das ilhas vê o Vidigal?”

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