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JC Agora

Fórmula 1 - O que esperar da temporada 2015?


Olá fãs de velocidade! A poucas horas da primeira corrida do Mundial de Fórmula 1 2015, podemos tirar já nossas primeiras conclusões e os pitacos para o restante da temporada. Algumas teorias já caíram por terra logo nos primeiros 60 minutos da qualificação oficial para o GP da Austrália, como a esperança de voltarmos a ter uma temporada equilibrada e um bom retorno da McLaren após a volta da parceria com a Honda.
Mas o início da temporada se mostrou bom para algumas equipes. Sauber voltou a ficar próxima aos pontos e a Ferrari encostou na Williams, e agora admite pensar em pódios. Trazemos hoje uma análise sobre o que esperar de cada equipe para a temporada 2015, mais um breve resumo do que foi a qualificação e do que deve ser o GP da Austrália deste domingo. Pilotos, liguem os motores, pois as luzes vermelhas estão prestes a se apagar...

Mercedes - Depois de um domínio inquestionável na temporada passada, a escuderia alemã não se acomodou. Trabalhou forte no desenvolvimento do carro deste ano e se empenhou na renovação do contrato de seus pilotos. Lewis Hamilton e Nico Rosberg tiveram o carro dos sonhos, mas não a relação de amigos que esperavam.

É natural que os dois pilotos que disputem o título criem uma rivalidade, afinal, ninguém corre uma temporada inteira para bater na trave. É bom para o esporte e para o público uma rivalidade, todo mundo gosta, menos a equipe. Nessa que deve ser (novamente) a questão mais complicada do time na temporada, certamente Hamilton e Rosberg foram orientados a manter os ânimos calmos, especialmente na primeira metade da temporada. Amigos desde o kart, Lewis e Nico certamente disputarão entre si o título de pilotos (mais uma vez). Na pré-temporada, a equipe focou seus testes na confiabilidade do carro e deu sinais até mesmo de equilíbrio com o restante do grid, mas nos últimos dias de testes em Barcelona, Hamilton e Rosberg andaram pra valer e marcaram o melhor tempo de todos os testes de pré-temporada com os pneus médios! Mais uma prova da superioridade do time alemão.
Na Austrália, o domínio prevaleceu de novo. Dobradinhas nos três treinos livres e também na qualificação, com direito a Hamilton colocando 0.6 segundos de vantagem sobre Rosberg, e 1.7 segundos no terceiro colocado, Felipe Massa!!
Favoritos (com sobras), a Mercedes terá de novo como único dilema a briga interna de seus pilotos, e se souber administrar a situação, tem plenas condições de quem sabe, conquistar uma façanha inédita na Fórmula 1, uma temporada invicta!

Williams - Estabelecida como a segunda força na temporada passada, mas sem conquistar o importante segundo lugar no mundial de construtores, a Williams busca em 2015 a consolidação de um trabalho de recuperação. Após alguns anos sem figurar nas primeiras posições, a equipe acertou ao migrar para o motor Mercedes no ano passado e conquistou grandes resultados. A tão esperada vitória não veio, mas os constantes pódios de Valtteri Bottas e Felipe Massa foram muito importantes para a equipe inglesa reerguer-se depois de muitos anos como coadjuvante.
Para este ano, a expectativa tornou-se maior ainda. A dupla de pilotos era a mesma, mas ambos falavam em uma grande evolução do time que planeja ainda lutar por vitórias neste ano. Os testes de Massa e Bottas tanto em Jerez como em Barcelona foram focados na confiabilidade e nas simulações de corridas. Os tempos foram satisfatórios e a equipe foi confiante para Melbourne.
Em terras australianas, nem tudo foram rosas. Massa perdeu parte dos primeiros treinos livres por problemas no carro, e a equipe via a Ferrari cada vez mais próxima. Na qualificação, a ameaça se confirmou. Por menos de um décimo, os carros Ferraristas não estiuveram à frente de Felipe Massa, que foi 3º colocado. Bottas errou nas duas tentativas e acabou 0.4 segundos mais lento que o companheiro, terminando em sexto.
A Williams terá em 2015 a chance de mostrar competitividade. Com um adversário a altura, terá também um teste para seus pilotos. Com alguma sorte, a equipe pode pensar em vencer corridas, mas a disputa principal é pelo segundo lugar de construtores, contra a Ferrari.


Ferrari - Os italianos, depois de uma temporada passada cheia de turbulências envolvendo especialmente Fernando Alonso, parecem ter encontrado o bom caminho em sua nova dupla de pilotos. Sebastian Vettel veio realizar o sonho de criança de correr na mesma equipe que o ídolo Michael Schumacher, e juntamente com Kimi Räikkönen, parece ter ajudado a Ferrari a desenvolver um bom bólido. O motor, depois de uma temporada bastante complicada, recebeu atenção especial, e o empenho do jovem alemão parece ter também motivado a própria equipe, que conquistou bons resultados desde os testes de Jerez. Buscando tirar o potencial do carro logo de cara, Vettel e Räikkönen andaram rápido durante todo o tempo, e por vezes lideraram os testes de pré-temporada.
Em Melbourne, Seb e Kimi começaram lentos no primeiro treino livre, mas foram se habituando as condições da pista à medida que o tempo passava. Vettel conquistou um excelente segundo lugar no último treino livre, o que animou ainda mais torcida e mecânicos. Na sessão de qualificação final, Räkkönen e Vettel marcaram tempos muitos próximos, com diferença de milésimos, e conquistaram bons 5º e 4º lugares, respectivamente. A equipe se mostra pronta para brigar de igual para igual com a Williams pelo segundo lugar no mundial de construtores, e junto com os ingleses, promete ser a única escuderia com alguma chance de tirar a vitória das mãos da Mercedes

Red Bull - Ainda com muitas dúvidas, era difícil explicar o clima da Red Bull para o início desta temporada. O motor Renault, mesmo da temporada passada, não se mostrava tão confiável nos testes, a exemplo do que houve no ano passado. O problema se agravara neste ano especialmente pela dupla escolhida pela equipe austríaca: Ricciardo e Kvyat. Rápidos, porém novatos. O russo está apenas na sua segunda temporada na categoria, o italiano, na sua segunda pela equipe de energéticos. A falta de experiência prejudicou parte do desenvolvimento dos carros, situação observada nos testes de pré-temporada.

Pouco confiável, o RB11 não empolgou, tanto em Jerez como em Barcelona. Os primeiros dias em Melbourne foram igualmente duros para o time de Adrian Newey. A pior notícia veio na sexta-feira, que por sinal, era dia 13. A unidade de potência da fábrica francesa, quebrou com apenas 50 quilômetros rodados! A primeira quebra do ano para todas as equipes, sendo que o fim de semana acabara de começar. O relacionamento entre RBR-Renault estremeceu e o clima para o treino oficial não era dos mais otimistas.
Na sessão decisiva, Kvyat sucumbiu a inexperiência, no traçado e no carro, e acabou eliminado no Q2. Ricciardo, correndo em casa, terminou no sétimo lugar, apenas 0.1 segundo à frente da STR de Carlos Sainz Jr.
O clima de indefinição toma conta da equipe austríaca. Depois de quatro anos de domínio, a lua de mel com os propulsores franceses está próxima do fim, e a temporada que prometia ser melhor do que no ano passado, no qual a expectativa por um começo terrível era ainda maior, parece ter ido por água a baixo. A luta da equipe será pelo quarto lugar, num embolado grupo que pode ter Lotus, Sauber e quem sabe até mesmo a Toro Rosso, a equipe satélite do time dos energéticos... Problemas à vista.

Lotus - Reerguer-se! Essa era a palavra de ordem no time de Enstone ao início dessa temporada. Depois de uma crise financeira no ano passado, e consequente queda drástica nos resultados do time, a Lotus buscou apoio no dinheiro dos patrocinadores e não mediu esforços para melhorar o desempenho em 2015. O time fechou contrato com a Mercedes, livrando-se de um dos piores propulsores da temporada passada, o motor Renault. Manteve a dupla de pilotos, que além de rápida, enche os cofres da equipe. Grosjean e Maldonado podem não ser os pilotos mais regulares do grid, e não são, mas tem seus momentos de inspiração e conseguem bons resultados com seus respectivos carros.
Os testes de pré-temporada foram bem aproveitados pela equipe inglesa, especialmente em Barcelona, onde Maldonado liderou as sessões durante alguns dias. O venezuelano já venceu na Catalunha, e a exemplo da equipe, que declarou querer voltar ao pódio, planeja levar a equipe ao máximo em Montmeló.
Na Austrália, num cenário bem diferente, a equipe conseguiu manter-se entre os dez primeiros na maioria dos treinos livres, e conquistou as duas vagas para o Q3. Porém, Grosjean a Maldonado acabaram nas duas últimas posições da parte final do treino. Mas isso não é motivo de lamentação para a escuderia! Em comparação aos péssimos resultados do ano passado, a Lotus evoluiu muito e tem a possibilidade até de um quarto lugar no mundial de construtores, visto que, por enquanto, as equipes ainda permanecem muito equilibradas no meio do pelotão.
Ainda há muitas indefinições, com certeza. Mas a evolução da Lotus é notável. A oportunidade para Grosjean e Maldonado mostrarem seu serviço é dada novamente, e o desempenho da equipe será reflexo da regularidade de seus pilotos.

Toro Rosso - Evoluindo constantemente, os italianos da Scuderia Toro Rosso já estão um passo à frente do que uma mera equipe satélite da Red Bull. Fazendo apostas certas e acertando no desenvolvimento dos carros a temporada 2015 promete ser boa para a STR. A nova dupla de pilotos, Carlos Sainz Jr e Max Verstappen, apesar de fazerem sua primeira temporada na categoria, vem demonstrando concentração e empenho, mas acima de tudo, velocidade.
Os testes do time foram centrados na confiabilidade e também na adaptação dos pilotos aos carros. Verstappen e Sainz deram o maior número de voltas possíveis para conhecerem o bólido e não fazerem feio na estreia da temporada, e não fizeram!
Em Melbourne, os dois novatos tiveram tempos bastante parecidos, mas Sainz acabou levando vantagem em todos os treinos. Na qualificação final, Verstappen ficou apenas 0.1 segundos atrás do 10º melhor tempo, já Sainz, termino em oitavo e qualificou-se ao Q3. Na última fase do treino, o espanhol quase superou Daniel Ricciardo, dono da casa, terminando em oitava e apenas 0.1 segundos atrás do australiano.
Confiável e rápida, a dupla da STR é muito semelhante ao carro do time. Erros virão, com certeza, porém, se manterem a concentração e a velocidade, Sainz e Verstappen são capazes de levarem o time a bons resultados, e incomodar até mesmo, a "equipe-mãe".

Sauber - Responsável pela grande polêmica deste início de temporada, a Sauber passou por um verdadeiro turbilhão neste começo de ano. Primeiro vieram os grandes resultados em Jerez, que na verdade, não passavam de uma estratégia para a equipe conseguir mais patrocínio. Apesar do "teatro", os testes revelaram uma qualidade dos carros suíços: a confiabilidade. Os testes em Barcelona apenas evidenciaram ainda mais essa situação, e a equipe ia à Melbourne com muita expectativa.

Na Austrália, a expectativa aumentou ainda mais, só que por outro motivo... Giedo van der Garde, ex-piloto de testes do time suíço, reivindicou uma vaga de titular que estaria presente no contrato assinado pelo mesmo no ano passado. O caso foi à Justiça, e o holandês venceu! A Sauber teria de encontrar uma forma de colocar van der Garde no grid de domingo, mas, em outra reviravolta do caso, o holandês simplesmente cedeu, alegando que "respeitaria os direitos da Sauber, de Ericsson e de Nasr e abdicaria de sua vaga para o GP da Austrália". Confusão finalizada? Apenas para esta corrida...
Buscando esquecer dos problemas e fazer sua parte, Nasr e Ericsson foram pra pista ainda sem saber seu futuro. Ou melhor, não foram. A Sauber não liberou os carros para o primeiro treino livre e os pilotos só saíram na segunda sessão, quando a confusão já estava esclarecida.
Na pista (finalmente), Nasr se mostrou melhor que seu companheiro desde as sessões preliminares. Na classificação oficial, viu o sueco ser eliminado no Q1, e por pouco, não levou a equipe ao último estágio da qualificação, terminando em 11º lugar.
Ainda sem ter certeza do futuro, a Sauber segue seu caminho no GP australiano. Depois de passar uma temporada inteira sem marcar pontos, o time suíço lutará por eles com tudo aquilo que tem direito. Mas, a única certeza de Peter Sauber é que seu time terá outro ano difícil...

Force India - Depois de uma temporada onde o começo foi animador e o final deixou muitas dúvidas, a Force India chega para 2015 com um objetivo: pontuar. Sim o desenvolvimento do carro indiano atrasou, a equipe só participou da última sessão dos testes de pré-temporada, em Barcelona. Apesar do desempenho em Montmeló não ser tão ruim, a equipe teve os ânimos freados no fim de semana em Melbourne.
andando quase sempre abaixo do 10º lugar, os indianos depositavam em Hülkenberg as chances de algo a mais no treino decisivo, mas o final da história não foi como o esperado. A Force India foi a última colocada do Q2, 0.2 segundos atrás de Kvyat, 13º colocado da sessão.
Sem ter testado suficientemente o carro, a Force India não pode ter noções exatas da confiabilidade do bólido, mas o carro parece perder rendimento com relação ao do ano passado. Com o desenvolvimento atrasado, problemas financeiros e a chance iminente de perder Hülkenberg, principal piloto da escuderia, a Force India enxerga um ano tenebroso pela frente, onde os pontos parecem ser o máximo que a equipe pode almejar.

McLaren - Um pesadelo! Assim pode ser definido o início de temporada para o time de Woking. Depois de uma temporada abaixo das expectativas em 2014, a McLaren resolveu voltar a parceria vitoriosa que teve com a Honda, fabricante de motores japonesa que fez parte da geração vitoriosa do time inglês no final dos anos 80. A expectativa era grande apar o retorno do propulsor aos carros da equipe e o clima era de esperança...
Mas, a situação inverteu-se logo no início dos testes em Jerez. O carro mostrou-se lento, incapaz de completar sequer 10 voltas em cada dia de treinos. A McLaren terminou a pré-temporada com menos da metade de voltas que a maioria das equipes do restante do grid conseguiu. E o pior, além de não ser confiável, o motor Honda demonstrou desempenho péssimo, sendo 6, 7 segundos mais lento que o resto do grid nos teste de pré-temporada. Em Barcelona, o acidente de Fernando Alonso e os rumores de uma pane elétrica no carro só pioraram a imagem da equipe, que foi para a Austrália com a imagem abalada, virando até mesmo motivo de chacota.
McLaren vai largar nas últimas colocações
Em Albert Park, a equipe não evoluiu, como já era mesmo de se esperar. Poucas voltas nos treinos livres e a expectativa para a qualificação oficial era a pior possível. Não deu outra. Última fila para Magnussen (que substitui Alonso, vetado pelos médicos) e Button, a pior qualificação da história da McLaren em mais de 50 anos de história. Difícil de acreditar, e o pior ainda está por vir. A McLaren só completou a distância de um GP completo apenas uma vez nos testes de pré-temporada, ou seja, os abandonos parecem inevitáveis para a corrida de domingo.
Sem chão, estarrecidos e decepcionados. Talvez esses adjetivos sejam poucos para a situação de uma das mais tradicionais equipes da Fórmula 1. Um começo pra lá de tenso e uma temporada complicadíssima estão na pauta de todos os comandados de Ron Dennis. Resta agora esperar para ver o que a McLaren consegue fazer para diminuir os efeitos de um motor lento e inconfiável e recuperar todo o tempo que foi perdido.

Manor - Uma incógnita. Sim, é essa a prévia temporada da Manor Marussia, antiga Marussia. A equipe estava falida ao fim do ano passado, chegou até mesmo a leiloar boa parte de suas peças, mas aí surgiu o que todos não esperavam, o anúncio da participação no grid da Austrália! O time afirmou estar pronto, foi aprovado no crash-test da FIA, teve sua inscrição aceita na etapa. Tudo isso sem sequer ser vista na pista uma única vez. É claro que não seria tão fácil...
Às vésperas da corrida, a equipe alegou um problema em um software do motor Ferrari. Com isso, Roberto Merhi e Will Stevens, os pilotos recém-contratados da Manor, sequer foram vistos com o macacão na Austrália! Nenhum tempo nos treinos livres e nenhuma saída no treino oficial. Sim, a Manor não tem nenhum objetivo para esta temporada. Se conseguir entrar na pista e completar uma única volta, será um grande feito para o time que revelou Jules Bianchi, hoje internado em um hospital francês.
Sem objetivos e sem dinheiro, poucos creem na Manor e em sua capacidade de colocar um carro na pista. É muito provável que a equipe não complete a temporada (que sequer começou para ela). Mas a equipe carrega consigo uma questão muito pertinente na Fórmula 1 atual: como fazer para que as as tradicionais nanicas sobrevivam e sigam fazendo seu papel, que é meramente desenvolver jovens pilotos e dar a eles sua primeira oportunidade na maior categoria do automobilismo mundial?


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