Olá a todos e todas!


O primeiro turno das eleições caracterizaram-se por alguns aspectos que considero relevantes: o fracasso do bolsonarismo, o protagonismo do PSOL, a redefinição do PT enquanto força política.

O FRACASSO DO BOLSONARISMO

Em 2018 o Brasil vivenciou uma onda de extrema direita que levou à presidência da república Jair Bolsonaro. Na onda da sua popularidade, alicerçada por uma providencial facada às vésperas de uma data nacional (07 de setembro), muitos candidatos aos governos estaduais literalmente "colaram" em seu nome e, em muitas cidades saíram de um quarto lugar nas pesquisas para o assento mais importante do Executivo estadual. Dois anos depois, alguns daqueles eleitos na onda bolsonarista tornaram-se inimigos políticos do presidente, como é o caso do governador do RJ, Wilson Witzel que vive um permanente inferno astral. 

O cenário político do primeiro turno mostrou que muitos candidatos a prefeito, de partidos da base de apoio do governo federal, parecem ter resolvido não lembrar desta conexão. Será porque perceberam que a onda de 2018 virou uma marola? E aqueles que procuraram destacar esta ligação derreteram de maneira agressiva. O exemplo mais marcante de derretimento foi a candidatura de Celso Russomano em São Paulo. Se bem que Russomano já vinha murchando muito antes do candidato lembrar à população da capital paulista deste detalhe. A lembrança pareceu só acelerar o processo, a ponto do candidato terminar o primeiro turno em quarto lugar.

Na mesma disputa, a outrora líder do governo Bolsonaro, Joice Hasselman conquistou apenas 1,55% dos votos válidos, enquanto que outro bolsonariista Arthur do Val "mamãe falei" conseguiu tão somente 9,78% dos votos. A este restou como grande conquista ficar a frente de Jilmar Tatto do PT.

O PROTAGONISMO DO PSOL

O grande desempenho, pelo menos nas Câmaras de Vereadores, foi do PSOL que foi ao segundo turno com Guilherme Boulos em São Paulo e conquistou inúmeras cadeiras nas casas legislativas pelo Brasil afora. Uma novidade, apresentada por partidos de esquerda em especial o PSOL, foram os "mandatos coletivos", em que uma pessoa apresenta o seu nome mas aquela pessoa representa outras quatro. Algumas destas candidaturas coletivas lograram êxito e tornaram-se mandatos coletivos.  Outro aspecto deste pleito foram candidaturas identitárias que, muitas elas, conquistaram assento nas Câmaras de Vereadores. Este identitarismo foi representado por representantes LGBTQIA+, mulheres e também indígenas.

A REDEFINIÇÃO DO PT

Muito do crescimento do PSOL deveu-se a ocupação de um espaço que pertencia ao PT que, atacado dioturnamente pela mídia hegemônica viu seu papel se reduzir na disputa eleitoral. Além dos sucessivos ataques, temos a construção de uma senso  comum fortemente alicerçado num sentimento de antipetismo que aparece, inclusive em partidos de esquerda.  Por isso que muitas vezes não me surpreendo com a dificuldade em serem feitas alianças a partir de majoritárias que tenham o PT em um dos cargos. Nestes momentos faz falta Leonel Brizola que não deixaria que determinados nomes sequer fizessem parte do PDT. Mas, os tempos são outros. O PDT nem parece ser esquerda e talvez falte o que cobram do PT: autocrítica.

Outro aspecto a se destacar na trajetória do PT na eleição deste ano foi a escolha equivocada de alguns nomes como o caso de São Paulo com Jilmar Tatto. Apesar de problemas nas majoritárias, o partido elegeu muitos vereadores conseguindo boas bancadas como no caso de Porto Alegre.

Se as eleições municipais servem para entender como a sociedade "vê" os governos estaduais e federal, que já estão na metade de seus mandatos, por outro lado, pode-se dizer que é um preparativo para as próximas eleições gerais. 

Até a próxima,

Ulisses B. dos Santos



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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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