Olá a todos, todas, e todes! Espero que estejam bem.

No último final de semana, o Brasil chegou ao trágico número de cem mil mortes pela Covid19. Quando fiquei sabendo que havíamos atingido a esta terrível cifra, eu tinha uma certeza: não haveria qualquer demonstração de sensibilidade por Jair Bolsonaro. Lamentavelmente acertei na mosca.
Quando alguém fala em cem mil mortos pelo CoronaVírus podemos imaginar, para efeito de cálculo, um núcleo familiar (e aqui por família entende-se qualquer grupo de pessoas que viva junto) de quatro pessoas. Então, se cada uma destas cem mil vítimas for multiplicada por três teremos trezentas mil pessoas atingidas diretamente por esta tragédia.

Enquanto isso, o presidente segue sua trajetória de infâmia desconsiderando por completo a ciência e fazendo seu discurso a partir da lógica do "nós contra eles".  Em um ambiente que começa a se preocupar mais com o político e menos com a ciência temos um presidente negacionista que passou a enfrentar governadores e prefeitos e no meio deste embate temos a população sofrendo.

Um aspecto que chama a atenção neste cenário que para distópico faltaria pouco é a inércia da população brasileira frente a este quadro social caótico. A notícia de centenas de mortes diárias tornou-se corriqueira, banal e não chama mais atenção das pessoas. Sabermos que a média de mortes da semana ultrapassa as mil não nos comove mais. Sequer uma hashtag para dispor na minha rede social predileta foi criada. Banalizamos a morte. Aceitamos a chacina como normal.

Ah, ia esquecendo de um pequeno detalhe: estes milhares de mortes são SOMENTE da Covid19. Neste cômputo não estão outras mortes ou mesmo acidentes ocorridos nos dia-a-dia.

Bolsonaro e sua gente são culpados por este estado de coisas pois todos nós em posição de enfrentamento contra o outro Costumo dizer que, em muito, a relação do líder político com sua população é de exemplo. Se há um estímulo a empatia, este sentimento se irradia pela população. Mas, se  o exemplo é ruim, acontece o mesmo. Parece ser este último o caso do povo brasileiro e seu presidente. O que vemos é uma irradiação de um sentimento ruim e as pessoas olham para as outras com desconfiança e ódio. Por isso não se importam com a milhares de mortes, só por Covid19, em uma semana. Mas, cada vez mais,  os casos de perdas se aproximam de cada um de nós e amanhã pode ser um vizinho, um amigo, um familiar ou até mesmo um de nós. Aí, lembrando aqui Berthold Brecht, será que farão alguma coisa por nós?

Sugestões da semana:
Filme: "Culpado por Suspeita", sobre o período do Macartismo.
Livro: "Ensaio sobre a Cegueira", José Saramago.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras.




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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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