Rubens Paiva Presente!

Luis Eurico Tejera Lisboa Presente!

Vladimir Herzog Presente!

Abílio Clemente Filho Presente!

Abelardo Rausch de Alcântara Presente!

Amaro Félix Pereira Presente!

Anatália de Souza Melo Alves Presente!

Carlos Lamarca Presente!

Carlos Marighella Presente!

Esmeraldina Carvalho Cunha Presente!

Isís Dias de Oliveira Presente!

Jane Vanini Presente!

Todos e todas Presente!



Comecei de um modo diferente, sem o costumeiro cumprimento aos leitores e leitoras desta coluna, pois a intenção é pesar o clima. No momento em que vi/ouvi a secretária da cultura Regina Duarte fazer pouco caso da ditadura militar brasileira (1964-1985) em recente entrevista na CNN Brasil, lembrei, como cidadão, professor e historiador, das palavras do historiador inglês Peter Burke que diz que "a função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer".

Onde tu estavas durante a ditadura militar, Regina Duarte?

A filmografia nacional é rica em produções sobre este período nefasto que,é bom que se diga,  não deve ser nunca esquecido para não que não se repita. Minha cara secretária foram inúmeros os mortos e desaparecidos durante aquela noite de 21 anos. Acredito que muitos dos teus colegas sofreram nas mãos de torturadores nos porões do DOPS.

Onde tu estavas durante a ditadura militar, Regina Duarte?

A ditadura militar, esta que o Jair Bolsonaro comemora, foi pródiga em silenciar e desaparecer seus opositores. O silêncio dava-se de várias formas e os mais conhecidos foram os AI's - Atos Institucionais sendo o mais forte aquele decretado em dezembro de 1968:o AI-5. Sim, este mesmo que volta e meia alguns energúmenos pedem que volte.

Onde tu estavas durante a ditadura militar, Regina Duarte?

Imagine Regina quantas famílias ainda sofrem com o fato de seus familiares estarem desaparecidos? Sim, porque quando se tem o corpo pode-se fazer o velório e as cerimônias de despedida do ente querido. Mas, quando é desaparecido não...simplesmente não há, simplesmente não existe. Entendeu, Regina? A dor persiste e persiste e persiste.

Regina, tu sabes que as ditaduras militares do Cone Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile)uniram-se, na caça aos opositores, no que ficou conhecido como "Operação Condor"? Caso queira saber o que foi pesquise sobre o caso dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Dias.

Aqui aparece o grilo falante - o senhor da consciência - para dar um aviso:
Um lembrete acerca da reação de setores da classe cultural brasileira à entrevista da secretária e atriz. Galera, vocês tem culpa nesse cartório, vocês iam às ruas pelo impeachment sob o discurso "anti-corrupção" fizeram campanha para  Bolsonaro. Portanto, menos galera. Bem menos. Certo?
Aqui o grilo falante vai pra casa.

Pô Regina...cantar "90 milhões em ação..." e comentar que era uma época legal?
Entre as tantas faltas de respeito durante a entrevista uma das piores foi dizeres que se fosse homenagear cada um que morre teria que transformar o site da Secretaria em um obituário. Pela memória de todos os que morreram, durante a ditadura militar e agora, respeite-os!

O que Bolsonaro -seus ministros e representantes parlamentares - tenta a todo momento fazer é o que chamamos no meio historiográfico de revisionismo histórico, ou seja, contraria todas as documentações do período e recria uma narrativa torta em relação aos fatos, chegando ao ponto de reescrever o próprio fato para as novas gerações.

Onde tu estavas durante a ditadura militar, Regina Duarte?

Regina, caso tu não lembres o que foi a ditadura militar deixo algumas sugestões:




Regina, assista um trecho aqui.


 Regina você pode ver um trecho deste clássico, aqui.

Regina, se você não curte um cineminha, leia o livro "Brasil Nunca Mais", de 1985, organizado por Dom Paulo Evaristo Arns.

Até semana que vem.

Saudações,

Ulisses B. dos Santos.

Twitter e Instagram: @prof_colorado

Sobre a Coluna

A coluna SobreTudo é publicada sempre às terças-feiras. (P.S.: sim, hoje é segunda! Consegui vencer o deadline)
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Ulisses Santos

Sou um cara solidário e humanista. Procuro ser empático com o outro. As relações humanas fazem com que cada um de nós seja alguém que ao acordar é uma pessoa e ao dormir seja outra. Sou professor da rede pública estadual do RS desde 2002 e escritor desde sempre. Tenho livros escritos sobre a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Atualmente estou concluindo a graduação em Jornalismo.

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