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JC Agora

Eleições 2018 – Ciro e a esquerda brasileira

Presidenciável quer PC do B e PSB, mas negocia coligação com PR e está no radar de PP e DEM

Parte da esquerda brasileira o ama pela nostalgia do ser brizolista. Outra parte não o suporta pelo seu gênio difícil, teimoso e independente. Fato é que o pré-candidato Ciro Gomes do Partido Democrático Trabalhista, o PDT, é um “político profissional”, como não cansa de falar em suas apresentações públicas, e diz conhecer o caminho das pedras preciosas que leva ao Planalto, apesar de não ter conseguido alcançá-lo quando o pleiteou em 1998 e 2002 ainda pelo PPS. Ciro terminou seu primeiro pleito à Presidência da República atrás de Lula e Fernando Henrique Cardoso, este eleito, e a segunda, já nos primeiros anos deste século, atrás de José Serra, do PSDB, e de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito pelo PT.
Imagem: Chargista Cícero Lopes
Se por um lado a principal figura política do País, mantida presa no prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia sete de abril, influencia – demais - no debate sobre o papel da esquerda brasileira na próxima eleição presidencial, a articulação em volta da candidatura de Ciro também é ponto chave para o futuro, sem exagero, do País. Entretanto, o presidenciável tem encontrado - e, de certa forma, alimentado – resistência junto à principal legenda do campo de esquerda do País, o Partido dos Trabalhadores – PT. Ciro e Gleisi Hoffmann, presidente do PT, não medem as palavras quando o assunto é a eleição de outubro.  

Enquanto parte da mídia e alguns petistas buscam emplacar a necessidade de união em torno da candidatura do pindamonhangabense radicado no Ceará, os partidos oficialmente mantêm ainda diferenças visíveis e rusgas que o eleitorado não tem deixado passar despercebido. Para tanto, Lula lidera as pesquisas estando preso e Ciro patina sem alcançar dois dígitos nos levantamentos de intenções do voto. O restante da esquerda, Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PC do B), com muito esforço somam um por cento cada.
Imagem: Chargista Cícero Lopes
A equipe de campanha do Ciro sonha com o apoio da esquerda brasileira em uma eventual frente que reúna legendas do espectro, incluindo os três com pré-candidaturas já lançadas. A vontade é por PC do B, PT e, se possível, PSOL. Mas, nos bastidores, o ex-ministro de Itamar e de Lula está mais ao centro do que ele mesmo prega: o presidenciável procurou estabelecer aliança com o PR de Josué Alencar, empresário e filho do ex-vice-presidente José Alencar, que comporia a chapa pedetista deste ano, e agora com o PP de Benjamin Steinbruch, empresário e presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), agora ventilado como vice de Ciro.

Na mesma semana em que o nome do empresário da CSN ganhou força, dois dos principais jornais do País, jornal Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, noticiou, entre suas notas, o interesse de parte do DEM e do PP de apoiarem o presidenciável do PDT em troca da permanência em uma possível base governista.

Ciro Gomes tenta o apoio do PSB, sem pré-candidatura à Presidência, e ronda o PC do B, que abriria mão de Manuela D’Ávila para compor eventual coligação com ele, porém, sem o “lugar ao Sol” da vice-presidência. E mais, Ciro conta ainda – enquanto candidato – com a impugnação quase irremediável do registro de candidatura do ex-presidente Lula em agosto e com ela a transferência de votos para a sua candidatura.
Imagem: Chargista Kácio Pacheco
Ao mesmo tempo em que herdaria parte dos votos do ex-presidente, o presidenciável também elevaria sua rejeição entre petistas que não aceitam outro candidato que não o Lula, e esquerdistas que enxergam na articulação do pedetista uma espécie de Déjà Vu.
Imagem: Chargista Klayton
Ciro tem boa oratória e aparenta conhecer o que compõe seu discurso, que, a propósito e curiosamente, não tem deixado os donos do poder no País – mídia e sistema financeiro, não necessariamente nesta ordem – de “cabelo tão em pé assim”, como era o esperado. Neste aspecto, lembra muito a candidatura do sindicalista Lula. Ciro talvez não seja bem o Lula de 2002, mas, se as notícias se confirmarem – e geralmente se confirmam - anda pecando da mesma forma no campo das alianças. Mais cautela, Ciro.

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4 comentários:

  1. Veja Claudio, eu sou suspeito pra falar do Ciro. Vejo ele preparado desde pleitos anteriores e neste ainda mais. Com todo respeito ao PT e a tudo que Lula fez, a "justiça" do Brasil fez uso de forma ilegal, de regimentos e instrumentos legais para o prender e o tornar inelegível, o TSE certamente barrará o registro de sua candidatura, portanto essa insistência do PT "em Lula" soa como bravata, repito, com todo respeito.

    Ciro tem ideias muito boas, tem um discurso forte e entende de economia, de fazer uma economia que consiga coincidir com instrumentos sociais. Ele sempre prega que dá pra ter desenvolvimento social e ao mesmo tempo fortalecimento econômico. Há quem o considere "radical" e quem não o considere, como tu por exemplo, mas a questão de competitividade eleitoral somada a preparo é no meu entender preponderante nesse caso.


    O Ciro tem dito (pra uns até de forma contraditória) que "não existe Centro", existe Esquerda e Direita e nessa linha o DEM e o PR com certeza são Destros, não ponho mão no fogo, mas duvido muito de que se estabeleça tal aliança.

    Agora, sobre o moço da CSN muito tem se falado realmente, eu creio que ele perderá muito crédito se fizer tal aliança, inclusive comigo.

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    1. Bom, quanto ao discurso e programa de governo, Ciro sabe bem como vendê-los e isso não reduz, em nenhum aspecto, a qualidade de ambos. Ele realmente é um ótimo candidato para um pleito que parece não temer o desastre.

      Mesmo que as suspeitas e dúvidas apresentadas neste artigo pareçam infundadas, é importante expô-las e questioná-las. Lembro que, anterior aos desmandos do espírito (des)governamental (que atingiu os Três Poderes da República, e que este blog não se recusou à repercutir), as más alianças já pareciam irremediáveis e razão para toda a crise de poder do País.

      As alianças, como já discutido neste blog em outras oportunidades, levaram, em parte, a maior figura política do País à prisão. A "cautela" é para evitar que mais um bom político se perca nas curvas perigosas das tratativas de bastidor. Ciro é bom e, acredito, não precisa de tais parcerias.

      Obrigado pelo comentário.

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    2. Tem toda razão, se subverter o próprio discurso e se aliar com setores conservadores, mesmo que se eleja em 2º turno com "apoio" midiático, conheceremos um final ruim para Ciro.

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    3. "Conheceremos um final ruim para Ciro" e a repetição da história, como se o Brasil estivesse condenado à um "loop infinito", um círculo vicioso em que predominam apenas interesses escusos.

      Agradeço pelo comentário.

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