19 de Março de 2017 - 20h: Derrota para o Palmeiras. Provocação na mídia, redes sociais. Gritos, trevas e ranger de dentes. Pixação de muro, ataque insensato à religião dos jogadores (e um especial pro Zeca que, como eu disse aqui, bem mereceu).

25 de Março de 2017 - 20h: Mirassol apenas empata e não consegue mais superar a pontuação do Santos no grupo D, confirmando matematicamente a classificação do Alvinegro praiano no Paulistinha Paulistão. Ou seja: em seis dias, passamos disso...



Pra isso. A gente é o único clube grande que a torcida cria a crise antes da mídia. Mas tudo bem. A gente é santista, dicotômico assim mesmo. Faz parte. A crítica aqui não é à histeria da torcida, mas à necessidade imposta pela mídia de termos tantos clássicos logo no começo da temporada dos clubes.

Nas palavras do honesto Mário Jardel, "clássico é clássico e vice-versa". O clássico tem muito poder no futebol brasileiro, especialmente os clássicos regionais. Pode alavancar ou afundar a carreira de jogadores e treinadores. Por volta de 2005-2006, era comum o São Paulo derrubar técnicos do Corinthians após goleadas em clássicos. Por outro lado, o zagueiro tricolor Lucão caiu em desgraça com a torcida após uma falha bisonha que deu a vitória ao Corinthians em outro clássico. Rodrigo, ex-zagueiro em atividade, provocou o atacante Fred após uma vitória em clássico e ganhou contrato vitalício no Vasco, cujo presidente parece dar mais importância a vencer o Flamengo em clássicos do que estar na série A. Parafraseando alguns amigos, o brasileiro não gosta de futebol, gosta de vencer. Por isso, uma vitória no clássico significa poder tirar onda com o amigo, o vizinho, o colega de trabalho, o companheiro de pelada.

Por outro lado, uma derrota no clássico gera crise, ameaça de troca de técnico, protesto da torcida. Do ponto de vista futebolístico, perder um clássico no Paulista é normal - os times estão em montagem, com alguns jogadores em más condições físicas ou simplesmente ausentes, muitas vezes de técnico novo, enfim. Para quem analisa o desempenho do Santos, é mais preocupante perder da Ferroviária em casa do que tomar aquela virada cretina imbecil inexplicável na mesma Vila.

Por outro lado, do ponto de vista do torcedor, significa mais. Significa que aquele amigo são paulino que fugiu de você pelos últimos três anos vai ter uma crise de amnésia, esquecer que há menos de seis meses o time dele tomou dois gols do Rodrigão, e voltar pra encher o seu saco. Significa ter que ouvir o amigo corinthiano tirando sarro e ficar calado, afinal, seu time tomou gol do JÔ, o que poderia significar rebaixamento imediato (considerando o hábito da FPF em montar regulamentos cretinos, talvez ano que vem incluam isso). Significa ter que ouvir o bufão do Felipe Melo fazer a média dele com a torcida (que os mais otários acham que é amor à camisa), só que às custas do seu time. Se bem que ele faz isso mesmo quando perde, então deixa pra lá.

O Brasil é o único país com 12 times considerados "grandes", entre outros que também são extremamente perigoso. Por mais que os times tenham diferença de investimentos e fase, um jogo entre quaisquer dois dentre Santos, São Paulo, Palmeiras e Corinthians é tão previsível quanto um jogo de cara ou coroa. Ou seja: É extremamente prejudicial para os times terem tantos jogos tão imprevisíveis e tão importantes no começo da temporada, pois prejudica o planejamento dos times que o fazem. O dirigente contrata um treinador para ter um padrão de jogo, esse treinador indica jogadores, o clube gasta dinheiro para contratá-los e tudo isso acaba em fumaça graças a um punhado de resultados adversos em clássicos num torneio que só sobrevive porque as federações estaduais são parasitas obsoletos que se recusam a morrer.

E antes que me acusem de choradeira (ou usem aquela expressão típica de gente boçal, "mimimi"), esse ano foi o Santos, mas já foram outros times. Ano passado Osório só não foi chutado do São Paulo devido à boa campanha na Libertadores. Em sua primeira passagem pelo Corinthians, o santo Tite perdeu o emprego devido a uma derrota num clássico contra o São Paulo (e corria o risco de acontecer o mesmo em 2012 se perdesse um clássico contra o Palmeiras logo após a Toliminação). Isso é sério. Odeio pensar que o bom trabalho desenvolvido nesses dois anos por Dorival pudesse ser destruído - tem uma parcela do conselho diretor do Santos que em pleno 2017 ainda sonha com o obsoleto Luxa - por causa de maus resultados em clássicos.

Ainda bem que tudo isso é passado. Agora é manter a evolução. Nossa defesa continua porosa, o ataque continua perdendo muitos gols, mesmo que dominemos as ações no meio-campo, e ainda temos o defeito incorrigível de desistir do jogo após abrir o placar. (E nosso lateral esquerdo se incomoda mais com xingamentos da torcida do que com marcar direito um jogador que era carta fora do baralho no nosso rival). Mas estamos vivos. E é mata-mata. E ninguém conhece o campeonato Paulista como nós. Vamos dar trabalho. Rumo à nona final consecutiva!

Vai Santos!
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